Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Vídeo-MOC

VOLUME 10 ● NÚMERO 06

SEQUÊNCIA DE TRATAMENTO NO CÂNCER DE PULMÃO NÃO PEQUENAS CÉLULAS AVANÇADO 

Por muitas décadas, o tratamento baseado em platina foi o tratamento padrão no câncer de pulmão não pequenas células avançado (CPCNP avançado), com taxa de resposta baixa e perspectiva de sobrevida com mediana inferior a 12 meses. Este cenário, no entanto, vem mudando com a presença de novas drogas e de novas estratégias, temas que são discutidos neste Vídeo-MOC, com apresentação da Dra. Carolina Kawamura Haddad, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, e moderação do Dr. William Nassib William Jr., diretor médico de Oncologia e Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O câncer de pulmão não pequenas células é uma doença diagnosticada geralmente em fase avançada. No Brasil, o diagnóstico da doença avançada ocorre em cerca de 70-90% dos pacientes. Neste contexto, a definição do tipo de tratamento é de extrema importância. Por isso, preparamos este Vídeo-MOC, que traz para o leitor não só uma completa apresentação sobre a sequência de tratamento no CPCNP avançado, mas também uma extensa discussão sobre o algoritmo de tratamento em 2019.

Na primeira linha de quimioterapia, que durante muitos anos foi baseada em platina, houve uma mudança de cenário, um marco, por volta de 2006, com a adição do antiangiogênico bevacizumabe a quimioterapia, uma estratégia que demonstrou pela primeira vez mediana de sobrevida acima de 12 meses, além de aumento de taxa de resposta (de 15% para 35%) e sobrevida livre de progressão (de 4,5 meses para 6,2 meses).

A terapia-alvo, por sua vez, tem ganhado espaço como opção de tratamento padrão na primeira linha, com tratamentos direcionados que têm mudado a história natural da doença.

No tocante a imunoterapia, que desde 2012 vem revolucionando o tratamento de vários tipos de câncer, inclusive do câncer de pulmão, Dra. Carolina Kawamura pontua os tratamentos de primeira linha atualmente estabelecidos como padrão e coloca em perspectiva os dados dos estudos que levaram às respectivas aprovações.

  • KEYNOTE-024, que demonstrou superioridade de pembrolizumabe monoterapia em relação a quimioterapia convencional nos pacientes com CPCNP avançado tanto histologia escamosa como não escamosa, EGFR/ALK negativo, com expressão de PDL-1 acima de 50%.
  • KEYNOTE-042, que avaliou um ponto de corte menor de PDL-1 (TPS de 1-49%). Estudo também positivo, embora com resultados que não demonstram superioridade de pembrolizumabe monoterapia em relação a quimioterapia em termos de taxa de resposta.
  • KEYNOTE-189, estudo que também mudou a perspectiva do algoritmo ao demonstrar aumento da sobrevida livre de progressão, sobrevida global e taxa de resposta com o uso da combinação de platina/pemetrexede + pembrolizumabe em pacientes com CPCNP avançado histologia não escamosa, sem mutação de EGFR/ALK, independente do nível de expressão de PDL-1.
  • IMPower-150, trabalho que combinou quimioterapia com imunoterapia e também com antiangiogênico em pacientes com doença não escamosa independente do nível de expressão de PDL-1, demonstrando ganho de 4,5 meses em sobrevida global após uso do esquema com quatro drogas, atezolizumabe + carboplatina + paclitaxel + bevacizumabe, seguido de atezolizumabe + bevacizumabe.
  • KEYNOTE-407, estudo dedicado aos pacientes com histologia escamosa independente do nível de expressão de PDL-1. Também positivo, demonstrando aumento de sobrevida e taxa de resposta (57,9% versus 38,4%), com a adição de pembrolizumabe a carboplatina e paclitaxel/nab-paclitaxel em comparação a quimioterapia convencional.

Na segunda linha ou linhas subsequentes, docetaxel foi a droga mais estuda, com dados que demonstraram ganho de sobrevida global e – pela primeira vez – menor deterioração da qualidade de vida nos pacientes, o que colocou docetaxel como padrão no tratamento de resgate.

Os primeiros estudos de antiangiogênicos na segunda linha do câncer de pulmão foram conduzidos no cenário pós-falha a quimioterapia (estudos LUME-Lung 1 e REVEL):

  • LUME-Lung 1, estudo fase III, que avaliou docetaxel e nintedanibe versus docetaxel e placebo, levando à aprovação do nintedanibe em combinação com docetaxel no Brasil para a segunda linha. O estudo incluiu pacientes com histologia escamosa e não escamosa, mas o ganho de sobrevida foi observado para adenocarcinoma.
  • REVEL, importante estudo que incluiu tanto pacientes com histologia escamosa como não escamosa que haviam falhado ao tratamento de primeira linha com dupla de platina para receberem docetaxel e ramucirumabe versus docetaxel e placebo. Os resultados da análise favoreceram o grupo de ramucirumabe, demonstrando benefícios em ambas as histologias em termos de sobrevida global, sobrevida livre de progressão e taxa de resposta objetiva (22,9% versus 13,6%), colocando docetaxel + ramucirumabe como tratamento padrão após falha de platina para histologia escamosa e não escamosa.
  • LUX-Lung 8, trabalho que levou à aprovação de afatinibe, outra alternativa para histologia escamosa, com ganhos em sobrevida global e aumento de taxa de resposta em comparação a erlotinibe.

Por fim, a apresentação dá espaço à discussão sobre o algoritmo de tratamento em 2019, evidenciando que o tratamento à base de imunoterapia tem sido definido como padrão-ouro para (quase) todos os pacientes com CPCNP avançado.

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