Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mama

Imunoterapia aprovada para o tratamento do câncer de mama metastático nos EUA

O câncer de mama subtipo triplo-negativo contempla aqueles tumores com ausência de expressão de receptores de estrógeno, progesterona e amplificação de HER-2. Classicamente esse subtipo é associado a um prognóstico desfavorável, sobretudo na doença avançada, cujo único tratamento ativo na paciente sem mutação germinativa em BRCA1 ou BRCA2 é quimioterapia citotóxica, com desfechos de sobrevida muito aquém do desejado, e sobrevida global mediana em séries de vida real recentes, em torno de 12 a 15 meses. Frente a esse cenário, a agência norte-americana FDA (Food and Drug Administration) concedeu aprovação acelerada do anticorpo monoclonal anti-PDL-1 atezolizumabe em combinação com quimioterapia para o tratamento inicial do câncer de mama triplo-negativo metastático com expressão positiva de PDL-1, baseado nos dados do estudo IMpassion130.

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Nesse estudo de fase III, 902 pacientes com câncer de mama triplo-negativo avançado ou metastático foram randomizadas para receber tratamento de primeira linha com nab-paclitaxel associado a atezolizumabe ou placebo. Os pacientes poderiam já ter recebido taxano no cenário de doença localizada, desde que a exposição a essa classe de drogas tivesse sido há mais de 12 meses. Na análise dos resultados da população por intenção de tratamento, com um seguimento mediano de 12,9 meses, o tratamento com nab-paclitaxel + atezolizumabe foi associado a uma redução relativa de 20% no risco de progressão ou morte quando comparado ao grupo de pacientes que receberam o quimioterápico associado a placebo (HR=0,80; IC de 95%: 0,69-0,92; p=0,002), objetivo primário do estudo. Dentre as pacientes com PDL-1 positivo (expressão ≥1% nas células imunes pelo anticorpo SP142 da Ventana), que correspondiam a cerca de 40% da população do estudo, o benefício em sobrevida livre de progressão foi ainda maior (HR=0,62; IC de 95%: 0,49-0,78; p<0,001).

A análise de sobrevida global, objetivo secundário do estudo, ainda é imatura, sendo os resultados expostos ainda exploratórios, com apenas 40% dos eventos reportados. Há, entretanto, sugestão de benefício para o tratamento combinado de nab-paclitaxel + atezolizumabe na população PDL-1 positiva, com sobrevida global mediana de 25 versus 15,5 meses (HR=0,62; IC de 95%: 0,45-0,86).

A taxa de resposta nas pacientes PDL-1 positivo foi da ordem de 58,9%, com 10,3% de respostas completas com o tratamento combinado versus 42,6% e 1,1%, respectivamente, naquelas que receberam placebo. Nas análises de segurança, a taxa de eventos adversos de graus igual ou superior a 3 nas pacientes que receberam o imunoterápico foi de 48,7%, versus 42,2% no grupo controle, destacando-se como os mais comuns neutropenia, neuropatia periférica, fadiga e anemia.

A respeito do estudo, Dra. Debora Gagliato, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, destaca: “Trata-se de um importante estudo, que demonstra de forma clara que imunoterapia é uma estratégia com atividade robusta em um subgrupo de pacientes com diagnóstico de câncer de mama. Especialmente em uma coorte composta exclusivamente de pacientes com tumores triplo-negativos e doença avançada, em que observamos com quimioterapia convencional, sobrevida livre de progressão curta e taxas de resposta modestas, especialmente à medida que avançamos em linhas subsequentes de tratamento, o que se reflete em uma sobrevida global mediana bastante limitada, ao redor de 1 ano”.

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É importante ressaltar que a forma de avaliação de PDL-1 por imunohistoquímica ocorreu através do anticorpo Ventana SP142, em infiltrado imune, e que se formos avaliar a expressão de PDL-1 em pacientes na nossa prática clínica, devemos nos atentar ao método utilizado. No Brasil, tanto atezolizumabe quanto nab-paclitaxel são medicações disponíveis para tratamentos de outras neoplasias, não sendo aprovados para uso em câncer de mama. Aguardamos os dados maduros de sobrevida global, além dos desfechos em longo prazo das pacientes que apresentaram benefício clínico ao tratamento (resposta completa, resposta parcial ou doença estável), uma vez que em outras neoplasias temos evidência de que há grupo de pacientes com benefício de tratamento sustentado. Celebramos a aprovação de atezolizumabe para pacientes com doença avançada e neoplasia de mama triplo-negativa pelo FDA, o que traz um novo horizonte e perspectiva para tratamento desse desafiador grupo de pacientes”, conclui Dra. Debora.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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