Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Carcinoma Urotelial

Aprovação acelerada de combinação de medicamentos inovadora para o tratamento de primeira linha do carcinoma urotelial nos EUA

Em 03 de abril de 2023, o FDA (Food and Drug Administration) concedeu aprovação acelerada para a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe para o tratamento de pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático inelegíveis para quimioterapia à base de cisplatina.

A eficácia dessa combinação foi avaliada no estudo EV-103/KEYNOTE-869, que incluiu diferentes coortes, totalizando 121 pacientes que receberam tratamento de primeira linha com enfortumabe vedotina e pembrolizumabe na ausência de terapia sistêmica prévia para doença localmente avançada ou metastática e na presença de critérios de inelegibilidade à quimioterapia contendo cisplatina.

Na coorte de escalonamento de dose e na coorte A, foram incluídos pacientes em braço único para tratamento com a combinação, enquanto na coorte K os pacientes foram randomizados entre a combinação ou enfortumabe vedotina em monoterapia. A idade mediana da população foi 71 anos, 74% dos pacientes eram do sexo masculino, 97,5% possuíam doença metastática, 37% apresentavam doença primária do trato urinário superior e 84% apresentavam metástases viscerais, incluindo 22% com lesões hepáticas. Os critérios de inelegibilidade à cisplatina apresentados pelos pacientes foram: clearance de creatinina entre 30-59 mL/min (60%), escore de ECOG 2 (10%), perda auditiva de grau ≥ 2 (13%), além de 16% que apresentavam mais de um critério.

Na avaliação da eficácia, a taxa de resposta objetiva, avaliada por revisão central independente e cega, foi de 68% nos 121 pacientes, incluindo 12% de respostas completas. A duração mediana de resposta para a coorte de dose escalonada + Coorte A foi de 22 meses, e para a Coorte K não foi alcançada. Eventos adversos graves ocorreram em 50% dos pacientes, incluindo 5% de eventos fatais. Os eventos adversos mais comuns (>20%) em qualquer grau, incluindo anormalidades laboratoriais, foram: hiperglicemia, elevação de transaminases, rash cutâneo, anemia, elevação de creatinina, neuropatia periférica, linfopenia, fadiga, hiponatremia, elevação de lipase, hipoalbuminemia, alopecia, hipofosfatemia, perda de peso, diarreia, prurido, diminuição de apetite, náuseas, disgeusia, hipocalemia, neutropenia, infecção do trato urinário, constipação, hipercalemia, hipercalcemia, edema periférico, xeroftalmia, tontura, artralgia e xerodermia.

A dose de tratamento recomendada é: enfortumabe vedotina 1,25 mg/kg (até um máximo de 125 mg para pacientes ≥ 100 kg), via intravenosa, nos dias 1 e 8 em ciclos de 21 dias, até a progressão de doença ou toxicidade limitante. No caso de pembrolizumabe, a dose recomendada, administrada após enfortumabe vedotina no mesmo dia, é de 200 mg, via intravenosa, a cada 3 semanas ou 400 mg a cada 6 semanas, até a progressão de doença, toxicidade limitante ou até concluir 24 meses de tratamento.

O Dr. Daniel Vargas P. de Almeida, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas de Brasília-DF, comenta: “trata-se de uma estratégia de tratamento totalmente inovadora, pois pela primeira vez temos um regime livre de quimioterapia no tratamento de primeira linha do carcinoma urotelial avançado com dados de eficácia realmente entusiasmantes. Ambas as drogas já são aprovadas em uso como monoterapia, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, e possuem seu papel consolidado no tratamento dos tumores uroteliais avançados. Aguardamos agora dados mais maduros a serem explorados em novos estudos, principalmente na população de pacientes inelegíveis à cisplatina porém elegíveis à quimioterapia com carboplatina, para compreendermos se esta estratégia combinada é superior à exposição sequencial a ambas as terapias, dada a toxicidade do regime (5% de eventos fatais), além dos altos custos financeiros associados ao tratamento combinado”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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