Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Hepatocarcinoma

Cabozantinibe é aprovado para o tratamento de carcinoma hepatocelular avançado nos EUA

Os pacientes portadores de carcinoma hepatocelular avançado, tumor hepático de maior incidência e o terceiro causador de morte por câncer mundialmente, agora dispõem de uma nova opção de tratamento aprovada pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA). O tratamento com o inibidor de tirosina quinase cabozantinibe recebeu aprovação em 14 de janeiro de 2019 para utilização no tratamento dos pacientes com doença avançada que apresentaram progressão de doença após o tratamento prévio com sorafenibe.

A aprovação baseia-se no estudo de fase III CELESTIAL, que avaliou a eficácia e segurança do tratamento em 707 pacientes randomizados para receberem cabozantinibe ou placebo. O tratamento com o inibidor de tirosina quinase foi associado a aumento da sobrevida global mediana de 8,0 para 10,2 meses (HR=0,76; IC de 95%: 0,63-0,92; p=0,005). A taxa de resposta ao tratamento com cabozantinibe foi de 4%, com taxa de controle de doença de 64%. Dentre as análises de segurança, a taxa de eventos adversos de graus 3-4 relacionadas ao uso de cabozantinibe foi 68% (versus 36% para placebo), destacando-se dentre as toxicidades mais frequentes: síndrome mão-pé, hipertensão arterial, elevação de enzimas hepáticas, fadiga e diarreia.

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Conforme ressalta o Dr. Fabio Kater, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “temos observado um crescente número de trabalhos avaliando o tratamento de segunda linha do carcinoma hepatocelular, demonstrando uma necessidade médica não atingida. A expressão do MET é um sabido mecanismo de resistência ao sorafenibe e aumenta conforme o paciente apresenta progressão de doença na primeira linha com essa droga. Cabozantinibe é uma molécula tirosina quinase inibidora dessa via de proliferação, além de ser um antiangiogênico por inibir a via do VEGF.

No estudo CELESTIAL, cabozantinibe na dose de 60 mg/dia demonstrou ganho de sobrevida global em pacientes Child-Pugh A, uma população selecionada, com melhor prognóstico e relativamente difícil de encontrar na prática assistencial. Além disso, a maioria da população era representada por pacientes ocidentais (75%), e portadores de infecção pelo vírus da hepatite B (38%). Entretanto, esse estudo também incluiu pacientes de terceira linha e pode ser indicado para essa população não representada em outros trabalhos”.

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Ainda de acordo com o mesmo, “outro ponto favorável com o tratamento utilizando cabozantinibe foi uma maior sobrevida livre de progressão em comparação indireta com dados de outros estudos (5,2 versus 2-2,5 meses). Contudo, a taxa de resposta foi apenas 4%, diferente do que se encontra com a droga em outras histologias, bem como no uso de outros antiangiogênicos (10-20%) e com uso de imunoterapia (20%). Em relação à toxicidade, as taxas de graus 3-4 foram consideradas altas (68%), porém com taxa de descontinuidade relativamente baixa (16%)”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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