Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mama

Uso adjuvante de olaparibe para o câncer de mama é aprovado nos EUA

O FDA (Food and Drug Administration) aprovou em 11 de março de 2022 o inibidor da PARP olaparibe para o tratamento adjuvante de pacientes com câncer de mama HER-2 negativo inicial de alto risco apresentando mutação germinativa patogênica ou possivelmente patogênica no gene BRCA após tratamento com quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante.

A aprovação foi baseada no estudo OlympiA, que randomizou 1.836 pacientes com câncer de mama HER-2 negativo inicial de alto risco a uma razão de 1:1 entre olaparibe ou placebo por 1 ano. Adicionalmente, neste estudo foi necessária a administração de todo o tratamento local (incluindo cirurgia e radioterapia), além de quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante por ao menos 6 meses utilizando antraciclinas, taxanos ou ambos (permitido também o uso de agentes platinantes) antes da randomização. Naquelas pacientes com tumores expressando receptores hormonais, o tratamento hormonal foi administrado concomitante a olaparibe ou placebo. Dentre os critérios de inclusão no estudo, foi considerada doença de alto risco os pacientes com tumor triplo-negativo apresentando doença residual após tratamento quimioterápico neoadjuvante e aqueles com tumor primário ≥ 2 cm ou comprometimento linfonodal axilar em caso de tratamento cirúrgico primário. Já os tumores com receptores hormonais positivos foram considerados de alto risco caso apresentassem doença residual com CPS+EG score ≥ 3 se tivessem recebido tratamento quimioterápico neoadjuvante, ou com comprometimento de ≥ 4 linfonodos axilares nas pacientes submetidas a cirurgia como primeiro tratamento.

A sobrevida livre de doença invasiva, objetivo primário do estudo, foi de 86% versus 77% nos braços olaparibe e placebo, respectivamente, aos 3 anos (HR=0,58; IC de 95%: 0,46-0,74; p<0,0001). Dados atualizados da sobrevida global também demonstraram uma redução de 32% no risco de morte em favor do braço olaparibe (HR=0,68; IC de 95%: 0,50-0,91; p=0,0091). A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi de 24,3% no braço olaparibe, destacando-se náuseas, fadiga, anemia, vômitos e cefaleia como as toxicidades mais frequentes em qualquer grau.

Dra. Debora Gagliato, oncologista clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, ressalta: “trata-se de um importante estudo dedicado a avaliar o impacto do uso de olaparibe adjuvante em população de alto risco de recidiva, em que os desfechos de sobrevida ainda estão muito aquém do desejado com a terapia padrão multimodal. À luz do estudo OlympiA, há a real necessidade em se incluir a avaliação dos testes moleculares germinativos para mutações em BRCA1 e BRCA2 em pacientes diagnosticadas com câncer de mama HER-2 negativo de alto risco, para que nenhum paciente que possa se beneficiar dessa importante estratégia de tratamento seja perdido. Apesar das considerações acerca da toxicidade a partir da inclusão do olaparibe ao tratamento adjuvante, apresentação recente realizada em SABCS 2021 não revelou diferenças em scores de qualidade de vida entre grupo placebo e olaparibe, sendo que os efeitos colaterais atribuídos ao uso de olaparibe resolveram-se por após o término do tratamento”.

A dose indicada para o uso de olaparibe neste cenário adjuvante é 300 mg, via oral, duas vezes ao dia durante um ano de tratamento.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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