Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Leucemias

Tratamento da leucemia linfoide aguda sem o uso de quimioterapia demonstra resultados animadores em estudo clínico

O prognóstico de pacientes com leucemia linfoide aguda com expressão do cromossomo Filadélfia (Ph+) apresentou avanços de grande relevância nos últimos anos a partir da introdução dos inibidores de tirosina quinase no regime terapêutico dessa doença em concomitância a terapia citotóxica. Novas estratégias de tratamento têm agora buscado o desenvolvimento de tratamentos sem o uso de quimioterapia para esses pacientes.

Nesse contexto, o estudo de fase II GIMEMA LAL2116 D-ALBA avaliou a combinação de dasatinibe, um inibidor de tirosina quinase de segunda geração, e blinatumomabe, um anticorpo bi-específico anti-CD3 e anti-CD19 como tratamento de primeira linha em 63 pacientes com leucemia linfoide aguda Ph+. Destaca-se que o estudo contemplou a inclusão de pacientes idosos, sem limite superior para faixa etária (população usualmente pouco representada nos estudos clínicos). Ao final da fase de indução, a taxa de resposta hematológica completa foi 98%, com taxa de resposta molecular de 29%. Não houve diferença nos desfechos entre os pacientes com fusão das proteínas p190 ou p210. A taxa de resposta molecular foi maior após ciclos adicionais de blinatumomabe, atingindo até 81% após o quarto ciclo. Com um seguimento mediano de 18 meses, a taxa de sobrevida foi 95% e a taxa de sobrevida livre de doença 88%. A totalidade dos pacientes que apresentou resposta molecular ao tratamento demonstrou-se livre de doença na presente análise. A incidência cumulativa de recidiva em toda a população foi apenas 8%. Na avaliação de segurança, os eventos adversos de graus maior ou igual a 3 foram reativação ou infecção por citomegalovirus, neutropenia, febre persistente, derrame pleural, hipertensão pulmonar e alteração neurológica.

Conforme destaca o Dr. Fabio Pires, hematologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “os resultados desse estudo são encorajadores. Um maior seguimento é necessário para confirmar a eficácia desta abordagem no longo prazo. Apesar disso, esse estudo representa um passo importante no desenvolvimento de estratégias sem quimioterapia para tratamento da leucemia linfoide aguda Ph+, mantendo alta eficácia e possibilidade de remissão molecular, com perfil de toxicidade aceitável para o tratamento desta doença”.

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