Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Vídeo-MOC

VOLUME 11 ● NÚMERO 04

PRÉ-CAQUEXIA, CAQUEXIA E CAQUEXIA REFRATÁRIA – MASSA MUSCULAR E TOXICIDADE AO TRATAMENTO.

A caquexia é uma doença comum entre os pacientes com câncer, sobretudo nos pacientes com câncer avançado. Caracterizada pela perda involuntária de peso, massa muscular e tecido adiposo entre outras alterações sistêmicas envolvendo diversos órgãos, como, cérebro e fígado, a caquexia pode ser uma situação que traz consequências fatais aos pacientes, entre elas a morte. Entender o seu mecanismo de ação e conhecer estratégias de reversão são fundamentais para os oncologistas e profissionais envolvidos no tratamento do câncer.

Por isso, preparamos este Vídeo-MOC dedicado ao tema caquexia em câncer. Para conduzir a apresentação, temos a honra de receber o professor Dr. Dan Linetzky Waitzberg, médico cirurgião e nutrólogo, professor associado do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP e diretor do GANEP Nutrição Humana de São Paulo, o qual ao lado do Dr. Antonio C. Buzaid traz para a comunidade MOC uma aula (literalmente!) sobre caquexia e desnutrição em pacientes oncológicos.

A aula é iniciada com um breve panorama sobre a situação atual no tratamento do câncer e o impacto econômico. Depois, à luz de dados publicados do Inquerito Brasileiro de Avaliaçäo Nutricional Hospitalar (IBRANUTRI) sobre a desnutrição hospitalar em pacientes adultos do Sistema Único de Saúde (SUS), Dr. Dan discorre sobre desnutrição, caquexia e seus efeitos sistêmicos.

Há alguns anos, uma força tarefa redefiniu o conceito de desnutrição, evidenciando que o seu desenvolvimento pode estar relacionado à fome crônica, ou à combinação variável de menor ingestão alimentar e doenças crônicas, como, diabetes, insuficiência renal crônica, hepatopatia, alterações cardíacas e câncer (inflamação crônica de grau leve e moderado). Existe, ainda, a desnutrição associada a traumas decorrentes de cirurgias ou infecções (inflamações agudas).

A caquexia, por sua vez, diferente do que se pode pensar, é mais do que um fim, trata-se de um processo que começa com a pré-caquexia, passa pela caquexia propriamente e chega à fase chamada caquexia refratária. Na pré-caquexia, o paciente pode apresentar perda de peso ≤ 5%, anorexia e alterações metabólicas. Na caquexia, o paciente desenvolverá um quadro com perda de peso ≥ 5% ou IMC < 20 e perda de peso > 2% ou sarcopenia e perda de peso > 2%, além de redução da ingestão alimentar e inflamação sistêmica. Ao atingir a caquexia refratária, o paciente apresentará catabolismo, deixará de responder ao tratamento anticâncer e terá uma baixa expetativa de vida, < 3 meses.

“Alguns autores afirmam que o doente com câncer irá, em uma determinada trajetória da sua vida, ficar caquético, mas não necessariamente desenvolverá a caquexia refratária”, explica do Dr. Dan durante a apresentação e segue tecendo comentários sobre o importante papel dos profissionais da oncologia no sentido de estarem sempre em alerta aos sintomas de desnutrição e outros sinais relacionados à caquexia apresentados pelo paciente. Nesse contexto, o primeiro ponto é fazer o diagnóstico, seja por métodos subjetivos ou objetivos.  Uma possibilidade, ou melhor, uma facilidade que o oncologista já dispõem em seu dia a dia é o acesso às tomografias (a nível de L3-L4), que podem ser utilizadas não só para avaliar o câncer, mas também a massa muscular do paciente, o que permitirá diagnosticar com precisão, por exemplo, se existe ou não a presença de sarcopenia, isto é, a perda de massa muscular associada a prejuízos de função. Feito o diagnóstico, é preciso combater a sarcopenia com ingestão de alimentos e suplementos ricos em proteína (cerca de 1,5 a 2 g/kg), além de estimulo a atividades físicas. “Todos os nossos esforços devem ser feitos antes de chegar em termos nutricionais na caquexia refratária”, explica Dr. Dan.

Assista ao vídeo e entenda os mecanismos da caquexia bem como os mecanismos periféricos que podem resultar no seu desenvolvimento. Confira ainda comentários importantes sobre as técnicas disponíveis para o seu diagnóstico, além de uma revisão sobre efeitos sistêmicos da doença, adiposidade subcutânea e visceral, obesidade sarcopênica e mortalidade em câncer.

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