Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Linfomas

Imunoterapia com inibidor de checkpoint é aprovada para o tratamento do linfoma de Hodgkin refratário no Brasil

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 1º de março de 2021 o anticorpo anti-PD-1 pembrolizumabe para o tratamento de pacientes adultos com linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário e pacientes pediátricos com linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário após 2 linhas de tratamento sistêmico. A aprovação é embasada nos estudos KEYNOTE-204 e KEYNOTE-051.

No estudo KEYNOTE-204, 304 pacientes adultos foram randomizados entre pembrolizumabe ou brentuximabe vedotina. A sobrevida livre de progressão mediana, um dos objetivos coprimários do estudo, foi de 13,2 versus 8,3 meses para os braços pembrolizumabe e brentuximabe vedotina, respectivamente (HR=0,65; IC de 95%: 0,48-0,88; p=0,0027). A taxa de resposta objetiva também foi superior no braço pembrolizumabe (66% versus 54%; p=0,0225), assim como a duração mediana de resposta (20,7 versus 13,8 meses). Os eventos adversos de graus ≥ 3 mais frequentes foram pneumonite, neutropenia e neuropatia periférica.

A população pediátrica foi avaliada no estudo KEYNOTE-051. Dentre os 15 pacientes com linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário, a taxa de resposta objetiva foi de 60%, com taxa de controle de doença de 80% e duração mediana de resposta de 17,3 meses. A taxa de sobrevida livre de progressão foi de 72,7% e 51,9% aos 6 e 12 meses, respectivamente. Na avaliação de segurança, a taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi de 45%, destacando-se anemia e linfopenia como as toxicidades mais frequentes.

“Esse estudo compara de forma direta (head-to-head) duas drogas com atividade no linfoma de Hodgkin recidivado/refratário, porém com mecanismos de ação diferentes e, com isso, perfis de segurança distintos. Destaca-se que pacientes inelegíveis ou que progrediram após o transplante autólogo foram incluídos. O inibidor de PD-1 pembrolizumabe demonstrou melhores taxas de sobrevida livre de progressão em comparação com o anticorpo conjugado anti-CD30 brentuximabe. As toxicidades, como esperado, foram diferentes, com as manifestações autoimunes sendo mais comuns com o uso de pembrolizumabe, e a neuropatia periférica com o brentuximabe. Esses dados levantam a questão sobre o sequenciamento ideal no tratamento do linfoma de Hodgkin recidivado/refratário e também como isso pode afetar os desfechos a longo prazo. Um seguimento maior irá ajudar a elucidar esse ponto crítico”, destaca o Dr. Phillip Scheinberg, chefe da divisão de Hematologia Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

 

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