Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mieloma Múltiplo

Daratumumabe recebe aprovação de nova indicação terapêutica em formulação subcutânea pelo FDA

Em 27 de janeiro de 2026, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou a formulação subcutânea daratumumabe e hialuronidase (daratumumabe SC) em combinação com bortezomibe, lenalidomida e dexametasona (VRd) para o tratamento de pacientes adultos com mieloma múltiplo recém-diagnosticado inelegíveis ao transplante autólogo de células-tronco (TACT). A decisão regulatória amplia o uso do anticorpo monoclonal anti-CD38 nesse cenário específico, considerando a necessidade de regimes eficazes e viáveis para pacientes que não podem se submeter ao transplante como parte da terapia inicial.

A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo clínico CEPHEUS, um ensaio aberto, randomizado e controlado com comparador ativo, que incluiu pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado inelegíveis ao TACT ou que recusaram o procedimento como terapia inicial. No total, 395 pacientes foram randomizados para receber daratumumabe SCVRd (n=197) ou VRd isolado (n=198). Os principais desfechos de eficácia foram a taxa global de negatividade da doença residual mínima (MRD) e a sobrevida livre de progressão, avaliados por comitê de revisão independente segundo os critérios do International Myeloma Working Group. A mediana de idade foi de 70 anos e 50% dos participantes eram do sexo masculino. Em relação ao estadiamento pela classificação ISS, 34% apresentavam doença em estágio I, 38% em estágio II e 28% em estágio III. Citogenética de alto risco (presença de del(17p), t(4;14), t(14;16)) foi identificada em 13% dos pacientes.

A taxa de MRD negativa foi de 52,3% no braço com daratumumabe SC versus 34,8% no braço controle (p=0,0005), enquanto a sobrevida livre de progressão também favoreceu a combinação experimental (HR=0,60; IC de 95%: 0,41-0,88; p=0,0078). O perfil de segurança incluiu alertas para reações de hipersensibilidade e relacionadas à administração, infecções, neutropenia, trombocitopenia, toxicidade embriofetal, interferência em testes de compatibilidade sanguínea e toxicidade cardíaca em pacientes com amiloidose AL. Os eventos adversos mais comuns (≥ 20%) foram infecção do trato respiratório superior, neuropatia sensorial, dor musculoesquelética, diarreia, fadiga, edema, rash cutâneo, disfunção motora, COVID-19, constipação, distúrbio do sono, tosse, pneumonia, comprometimento renal, tontura, náusea, infecção do trato urinário, febre, dor abdominal, dispneia, redução do apetite e equimoses.

A posologia recomendada de daratumumabe SC é de 1.800 mg de daratumumabe associados a 30.000 unidades de hialuronidase, administrados por via subcutânea, conforme o esquema aprovado em bula, em combinação com bortezomibe, lenalidomida e dexametasona nas doses e frequências padronizadas.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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