Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

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Combinação de inibidor da PARP é aprovada para o cenário de primeira linha do câncer de próstata avançado nos EUA

 

Em 12 de dezembro de 2025, o FDA (Food and Drug Administration) aprovou a combinação de niraparibe e acetato de abiraterona associada à prednisona (AAP), para o tratamento de pacientes adultos com câncer de próstata metastático sensível à castração (CPSCm) portadores de mutação deletéria ou potencialmente deletéria em BRCA2 (BRCA2m). A aprovação contempla uma população molecularmente definida, reforçando a incorporação precoce de terapias-alvo no cenário metastático hormônio-sensível, com manutenção concomitante da terapia de privação androgênica.

A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo AMPLITUDE, um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, que incluiu 696 pacientes com CPSCm e mutações em genes de reparo por recombinação homóloga (HRRm). Os participantes foram randomizados na proporção de 1:1 para receber niraparibe associado à AAP ou placebo associado à AAP, todos em uso contínuo de terapia de privação androgênica. Dos 696 pacientes incluídos no estudo, 323 foram randomizados como portadores de BRCA2m. Entre os 323 pacientes com BRCA2m, a mediana de idade foi de 66 anos, 16% haviam recebido quimioterapia prévia com docetaxel e 11% fizeram uso prévio de AAP por até 45 dias para CPSCm. Quarenta por cento apresentavam metástases exclusivamente ósseas e 15% tinham metástases viscerais, enquanto 10% apresentavam mutação BRCA2 associada a outras HRRm em diferentes genes. O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão radiográfica (SLPr), avaliada pelo investigador, e a sobrevida global constituiu um desfecho secundário.

O estudo demonstrou melhora estatisticamente significativa da SLPr na população global com HRRm, com benefício concentrado no subgrupo de 323 pacientes com BRCA2m (HR=0,46; IC de 95%: 0,32-0,66), com mediana de SLPr não estimável no braço experimental versus 26 meses no grupo controle. Em contraste, no subgrupo de pacientes sem mutação em BRCA2, o benefício não foi significativo. Na primeira análise interina de sobrevida global, ocorreram 91 óbitos na população BRCA2m, com menor proporção de eventos no braço tratado com niraparibe. Eventos adversos graves ocorreram em 36% dos pacientes que receberam niraparibe + AAP. Dentre os eventos adversos graves relatados em mais de 2% dos pacientes, destacam-se anemia (4,9%) e pneumonia (3,7%). A descontinuação permanente devido a evento adverso ocorreu em 13% dos pacientes. Os eventos adversos mais comuns (> 20%), em qualquer grau, incluindo alterações laboratoriais, foram: anemia, linfopenia, hipertensão,

neutropenia, dor musculoesquelética, plaquetopenia, constipação, fadiga, hipopotassemia, elevação de creatinina, náusea, elevação de fosfatase alcalina, elevação de transaminases, infecção do trato respiratório, arritmia, elevação de bilirrubina sanguínea e retenção hídrica/edema.

A posologia recomendada consiste em niraparibe 200 mg por via oral uma vez ao dia associado a dosagem padrão de AAP (acetato de abiraterona 1.000 mg por via oral uma vez ao dia e prednisona 5 mg ao dia), mantidos até progressão da doença ou toxicidade limitante. A aprovação pela agência norte-americana contempla a formulação em um mesmo comprimido que combina ambos os fármacos, com nome comercial de Akeega®. Os pacientes devem receber concomitantemente um análogo de GnRH ou ter sido previamente submetidos à orquiectomia bilateral.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

 

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