Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Neoplasias Hematológicas

Novo agente é aprovado para o tratamento da policitemia vera nos EUA

O FDA (Food and Drug Administration) aprovou em 12 de novembro de 2021 o interferon monopeguilado de longa duração ropeginterferon alfa-2b-njft para o tratamento de pacientes com policitemia vera. Esta é uma patologia hematológica rara e crônica associada à produção excessiva de células sanguíneas, principalmente eritrócitos, em decorrência de mutação nas células-tronco medulares. Quando não controlada adequadamente ocorre aumento do risco de eventos tromboembólicos, incluindo eventos cardiológicos e neurológicos agudos e, eventualmente, progressão da doença para mielofibrose ou leucemias agudas. A mutação mais frequentemente associada à policitemia vera é a JAK2 V617F.

As avaliações do ropeginterferon alfa-2b-njft no tratamento da policitemia vera foram conduzidas nos estudos fase I/II PEGINVERA e no fase III PROUD/CONTINUATION-PV. O estudo PEGINVERA incluiu 51 pacientes com policitemia vera portadores da mutação JAK2 V617F. Um terço dos pacientes incluídos já se encontrava em tratamento com hidroxiuréia, 31% da população havia sido previamente submetida a esplenectomia e 22% dos pacientes possuíam história prévia de algum evento cardiovascular (tromboembolismo pulmonar, acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e trombose de veia porta). O principal desfecho analisado foi a taxa de resposta hematológica completa, evento que contemplou os seguintes critérios: hematócrito < 45% sem flebotomia por ≥ 2 meses, plaquetas ≤ 400.000/μL, leucócitos ≤ 10.000/μL e baço de tamanho normal (diâmetro longitudinal ≤ 12 ou ≤ 13 cm para os sexos feminino e masculino, respectivamente).

Após um tempo mediano de tratamento de 7,5 anos, a taxa de resposta hematológica completa foi de 61%, com mediana de duração de resposta de 14,3 meses. Considerando-se apenas os critérios laboratoriais (ou seja, excluindo-se o tamanho do baço) a taxa de resposta hematológica foi de 80%, com duração mediana de 20,8 meses. As toxicidades mais frequentes associadas ao tratamento foram sintomas flu-like, artralgia, fadiga, prurido, nasofaringite e dor musculoesquelética. Eventos adversos graves foram apresentados por 16% dos pacientes, sendo os mais frequentes: infecção do trato urinário (8%), ataque isquêmico transitório (6%) e depressão (4%).

A Dra. Danielle Leão C. Farias, hematologista e pesquisadora clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo destaca que “apesar do consenso do European Leukemia Net recomendar tanto a hidroxiureia como o alfa-interferon no tratamento de primeira linha, a última é pouco usada devido aos seus eventos adversos e prejuízo na qualidade de vida. A terapia com o interferon monopeguilado de longa duração ropeginterferon alfa-2b-njft, aplicado a cada duas semanas, associa a eficácia característica dos alfa-interferons de agir no clone maligno a um elevado perfil de tolerância. A observação de redução parcial ou completa da carga alélica do JAK2 mostra seu benefício em relação às terapias meramente citorredutoras, como a hidroxiureia, e abre um novo caminho para a rediscussão dos guidelines de policitemia vera”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

 

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