Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mieloma Múltiplo

Selinexor recebe aprovação definitiva para o tratamento do mieloma múltiplo nos EUA

O FDA (Food and Drug Administration) anunciou em 18 de dezembro de 2020 a aprovação definitiva do inibidor seletivo de transporte nuclear selinexor em combinação a bortezomibe e dexametasona para o tratamento de pacientes portadores de mieloma múltiplo previamente expostos a pelo menos 1 regime de tratamento sistêmico. O uso de selinexor para tratamento do mieloma múltiplo já possuía aprovação acelerada pelo FDA desde 2019, em indicação para pacientes com até 4 linhas prévias de tratamento.

A aprovação desse regime terapêutico definitivo é baseada nos resultados do estudo de fase III BOSTON, que randomizou 402 pacientes com mieloma múltiplo previamente expostos a até 3 linhas de tratamento sistêmico entre bortezomibe e dexametasona combinados ou não a selinexor. Destaca-se que aproximadamente um quinto da população havia recebido 3 linhas de tratamento, e cerca de um terço dos pacientes haviam sido submetidos a transplante de medula. O regime terapêutico com selinexor reduziu em 30% o risco de progressão de doença ou morte, objetivo primário do estudo, em comparação ao braço controle (HR=0,70; IC de 95%: 0,53-0,93; p=0,0075). Além disso, o tratamento com selinexor foi associado a maior taxa de resposta (76,4% versus 62,3%; p=0,0012). Na avaliação de segurança, os eventos adversos mais frequentes relacionados ao tratamento foram plaquetopenia, anemia, pneumonia, fadiga, náuseas e diarreia, sendo que 21% dos pacientes no braço selinexor descontinuaram o tratamento em decorrência de eventos adversos.

O regime aprovado é selinexor 100 mg ao dia, via oral, uma vez por semana, bortezomibe 1,3 mg/m2 ao dia, via subcutânea, uma vez por semana, e dexametasona 20 mg ao dia, via oral, duas vezes por semana em ciclos de 5 semanas.

De acordo com o Dr. Breno Moreno de Gusmão, hematologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “a aprovação definitiva desse regime oferece aos pacientes refratários a tratamentos prévios uma opção de terapia combinada com o selinexor, uma droga com mecanismo de ação distinto das demais utilizadas no mieloma, sendo uma opção particularmente interessante em pacientes com risco citogenético maior, como por exemplo, portadores da deleção do braço curto do cromossomo 17 (del17p). Adicionalmente, a combinação permite a redução nas doses do bortezomibe e dexametasona, melhorando a tolerabilidade e possibilitando o tratamento daqueles com idade maior que 65 anos ou previamente expostos a lenalidomida, cenários clínicos complexos e com opções terapêuticas limitadas”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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