Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mieloma Múltiplo

Nova formulação de melfalana é aprovada para o tratamento do mieloma múltiplo nos EUA

No dia 26 de fevereiro de 2021, o FDA (Food and Drug Administration) concedeu aprovação acelerada a melfalana flufenamida em combinação a dexametasona para o tratamento de pacientes portadores de mieloma múltiplo previamente tratados com até quatro regimes prévios, cuja doença é refratária a pelo menos um inibidor de proteassoma, um agente imunomodulador e um anticorpo anti-CD38. Trata-se de uma droga citotóxica conjugada a peptídeo que atua na liberação intracelular de melfalana em células com alta expressão de aminopeptidases, tais como as células neoplásicas. A aprovação definitiva é condicionada a confirmação do benefício clínico em estudos adicionais.

Os dados que embasaram a aprovação derivam do estudo HORIZON, que avaliou o uso de melfalana flufenamida em pacientes com mieloma múltiplo refratário. Dentre o subgrupo de 97 pacientes com doença refratária a ≥ 4 regimes sistêmicos (incluindo um inibidor de proteassoma, um agente imunomodulador e um anticorpo anti-CD38), a taxa de resposta foi de 23,7%, com duração mediana do benefício de 4,2 meses, ambos os desfechos avaliados através do critério do International Myeloma Working Group. Na avaliação de segurança, os eventos adversos mais frequentes foram fadiga, náusea, diarreia, febre e infecção do trato respiratório.

A dose recomendada para tratamento é melfalana flufenamida, 40 mg via intravenosa, no D1 a cada 4 semanas em combinação com dexametasona.

Conforme destaca o Dr. Phillip Scheinberg, chefe da divisão de Hematologia Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo: “esse é um exemplo de reformulação de droga. Trata-se de uma droga citostática bem antiga e ativa nas discrasias plasmocitárias, a melfalana, que passa a ser conjugada a um peptídeo e gerar a melfalana fluflenamida. Esse conjugado droga-peptídeo, otimiza a entrega do alquilante dentro da célula do mieloma, aumentando o seu perfil citotóxico antineoplásico. O que chama atenção nesse estudo é que os pacientes já haviam demonstrado refratariedade a agentes alquilantes em tratamentos prévios e voltaram a responder com essa formulação conjugada. Estudos em combinação envolvendo outros agentes com atividade no mieloma múltiplo, como corticoides, inibidores de proteassoma e agentes imunomoduladores estão em andamento, e os seus resultados são bastante aguardados”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

 

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