Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Linfomas

Pembrolizumabe aprovado no Brasil para o tratamento do linfoma de grandes células B primário do mediastino refratário

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 7 de novembro de 2022 o uso do imunoterápico pembrolizumabe para o tratamento de pacientes com linfoma de grandes células B primário do mediastino (LCBPM) refratário ou que recidivou após 2 ou mais linhas de terapia anteriores.

A eficácia foi avaliada no estudo KEYNOTE-170, que avaliou o uso de pembrolizumabe em 53 pacientes com LCBPM recidivado ou refratário. A idade mediana da população foi 33 anos, 43% com status de performance ECOG 0. O número mediano de linhas de tratamento prévias foi 3, sendo 26% dos pacientes com doença refratária a transplante autólogo de células hematopoiéticas e 32% previamente tratados com radioterapia. O principal desfecho de eficácia foi a taxa de resposta, apresentada por 45% dos pacientes, incluindo 11% com respostas completas. A duração mediana de resposta não foi atingida, porém 85% apresentaram duração do benefício por pelo menos 6 meses. A sobrevida livre de progressão mediana foi 4,7 meses e a taxa de sobrevida global aos 12 meses foi 58%. Na avaliação de segurança, não foram notados eventos adversos distintos daqueles próprios do perfil da droga quando utilizada em outras indicações terapêuticas. Destaca-se a nota em bula que o uso do imunoterápico não é recomendado para pacientes que precisem de terapia citorredutora urgente.

O linfoma primário do mediastino apresenta uma alta taxa de cura com quimioterapia convencional. Contudo, há casos refratários com opções limitadas e prognóstico reservado, que chegam de 10 até 30% em algumas séries. Nestes casos, os tratamentos com quimioterapia convencional ou em altas doses, como feito no transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas, não costumam ser efetivos em longo prazo na maioria dos pacientes. O pembrolizumabe, um anti-PD-1, pode resgatar uma proporção significativa de pacientes e, nos que apresentaram resposta, a sobrevida livre de progressão é mais duradoura. Uma questão em aberto é se há a necessidade do transplante alogênico de medula óssea após o controle da doença com pembrolizumabe. Esse tratamento costuma ser bem tolerado e o efeito do enxerto contra o linfoma contribui para a remissão. Outra opção nestes casos é o uso da terapia com células CAR-T. Os estudos incluíram uma pequena quantidade destes pacientes, mas os resultados parecem ser promissores. Uma questão que dificulta o uso das duas últimas terapias é a exigência de resposta completa para um resultado adequado. Há casos, na literatura, que o pembrolizumabe resgatou pacientes recaídos após ambas as terapias, mostrando a grande importância de sua aprovação neste grave cenário”, comenta a Dra. Danielle Leão, hematologista da BP, A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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