Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Linfomas

Novo tratamento para macroglobulinemia de Waldenström é aprovado nos EUA

O FDA (Food and Drug Administration) aprovou em 31 de agosto de 2021 o inibidor de BTK zanubrutinibe para o tratamento de pacientes adultos portadores de macroglobulinemia de Waldenström, uma das formas de apresentação do linfoma linfoplasmacítico de células B. É a segunda molécula aprovada para pacientes com essa patologia, além de ibrutinibe associado a rituximabe.

O tratamento com zanubrutinibe foi avaliado no estudo randomizado ASPEN, utilizando a droga em duas diferentes coortes de pacientes. Na coorte 1, os indivíduos portadores de mutação de MYD88 do tipo L265P foram randomizados a uma razão 1:1 entre zanubrutinibe ou ibrutinibe. Na coorte 2, de braço único com zanubrutinibe, os pacientes com ausência de mutação MYD88, bem como aqueles com status de mutação desconhecido, foram incluídos para receber tratamento com zanubrutinibe.

A aprovação da droga foi baseada na taxa de resposta (incluindo resposta completa, resposta parcial muito boa e resposta parcial) avaliada de maneira não comparativa entre os braços da coorte 1. A duração de resposta também foi um desfecho adicional avaliado. Dentre a população incluída, a maioria dos pacientes apresentava doença recidivada ou refratária, com grande parte dos pacientes previamente expostos a agentes alquilantes e anticorpo anti-CD20.

Na coorte 1, a taxa de resposta do braço tratado com zanubrutinibe foi 77,5%, com 94,4% dos respondedores mantendo o benefício por ao menos 12 meses. No braço ibrutinibe, os mesmos desfechos foram 77,8% e 87,9%. Já na coorte 2, a taxa de resposta foi 50% com zanubrutinibe. Na avaliação de segurança, houve menos fibrilação atrial com zanubrutinibe (2%, todos graus 1-2, versus 15% no total e 4% grau ≥ 3 com ibrutinibe). A neutropenia foi o evento adverso mais frequente com zanubrutinibe (29% todos os graus e 20% grau ≥ 3 e 13% todos os graus e 8% grau ≥ 3 com ibrutinibe). A pneumonia foi mais comum com ibrutinibe do que zanubrutinibe (respectivamente, 12% versus 2% em todos os graus e 7% versus 1% de graus ≥ 3). Neutropenia febril foi mais comum com zanubrutinibe (4% e nenhum caso com ibrutinibe), mas nenhum paciente foi a óbito, ao contrário de 2 óbitos por sepse com ibrutinibe.

Nesta doença, incurável e caracterizada por recidivas, as opções sem quimioterapia nos casos recaídos/refratários são atrativas. Com esta aprovação, há a possibilidade de utilizar um outro inibidor de BTK, o zanubrutinibe, que apesar de apresentar eficácia semelhante à do ibrutinibe possui diferente perfil de segurança, com incidência significativamente menor de fibrilação atrial, diarreia e pneumonia, contrabalançando com maior taxa neutropenia no grupo do zanubrutinibe. O zanubritinibe é a terceira droga na classe dos inibidores de BTK que incluem o ibrutinibe e o acalabrutinibe para doenças linfoproliferativas. Há outros inibidores de BTK em desenvolvimento e nos próximos anos teremos várias opções de drogas dessa classe com alta atividade beneficiando no melhor controle das doenças linfoproliferativas“, destaca a Dra. Danielle Leão C. Farias, hematologista e pesquisadora clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

 

 

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