Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Leucemias

Azacitidina oral é aprovada para o tratamento da leucemia mieloide aguda nos EUA

Em 1º de setembro de 2020, o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o agente hipometilante azacitidina oral em tratamento contínuo para pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) que atingiram remissão inicial completa (RC) ou remissão completa com recuperação medular incompleta (RCi) após quimioterapia de indução quando não elegíveis para tratamento intenso (como o transplante de medula óssea) com objetivo curativo.

A aprovação é baseada no estudo de fase III QUAZAR AML-001 que randomizou 472 pacientes com LMA que atingiram RC ou RCi após quimioterapia de indução entre tratamento com azacitidina oral ou placebo. Dentre os critérios de elegibilidade, foi permitida a inclusão de pacientes que receberam ou não a administração de terapia de consolidação. O tratamento com azacitidina oral reduziu em 31% o risco de morte em comparação a placebo (HR=0,69; IC de 95%: 0,55-0,86; p=0,0009), objetivo primário do estudo, com sobrevida global mediana de 24,7 versus 14,8 meses, respectivamente. Em análise de subgrupos, o benefício foi consistente entre os pacientes que apresentaram RC ou RCi após a quimioterapia de indução. Os eventos adversos mais frequentes foram náuseas, vômito, diarreia, fadiga/astenia, constipação, pneumonia, dor abdominal, artralgia, redução do apetite, neutropenia febril, tontura e dores nas extremidades. A dose recomendada para tratamento é azacitidina, 300 mg via oral, do D1 ao D14 em ciclos de 28 dias, mantido até progressão de doença ou toxicidade limitante.

Essa abordagem de terapia contínua após indução na LMA (já tentada previamente) não tem sido bem-sucedida. A azacitidina já é utilizada de forma parenteral nos pacientes de mais idade com LMA não candidatos a regimes quimioterápicos de maior intensidade. Com isso, o mecanismo dessa droga já é conhecido pelos hematologistas. Porém, apesar de já testado nas síndromes mielodisplásicas e LMA em estudos prévios, a azacitidina oral como manutenção representa um importante avanço nos pacientes de mais idade. Essa é a primeira estratégia de manutenção na LMA com resultados positivos”, ressalta o Dr. Phillip Scheinberg, chefe da divisão de Hematologia Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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