Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mama

Novo regime combinado aprovado para o tratamento do câncer de mama HER-2 positivo nos Estados Unidos

O FDA (Food and Drug Administration) aprovou o inibidor de tirosina quinase neratinibe em combinação com o quimioterápico capecitabina para o tratamento do câncer de mama HER-2 positivo avançado com exposição prévia a ≥ 2 linhas de tratamento anti-HER-2.

A aprovação do regime é baseada nos resultados do estudo de fase III NALA, que avaliou 621 pacientes com câncer de mama HER-2 positivo metastático e tratamento prévio com ao menos dois regimes anti-HER-2. As pacientes foram randomizadas 1:1 para receberem neratinibe e capecitabina ou lapatinibe e capecitabina. Os objetivos primários do estudo foram sobrevida livre de progressão e sobrevida global. O tratamento com neratinibe e capecitabina foi associado a redução de 24% no risco relativo de progressão de doença e morte. Destaca-se uma Sobrevida Livre de Progressão (SLP) mediana de 8,8 meses para o braço neratinibe em comparação com 6,6 meses para o braço lapatinibe (p = 0,0003). Em relação à sobrevida global (SG) houve um benefício numérico, mas não estatisticamente significativo, com o uso de neratinibe. Uma análise pré-especificada de médias restritas mostrou uma SG mediana de 24,0 meses para o braço de neratinibe em comparação com 22,2 meses para o braço de lapatinibe (HR=0,88; IC de 95%: 0,72-1,07; p = 0,2086). Adicionalmente, a taxa de resposta objetiva foi de 33% no braço neratinibe versus 27% no grupo lapatinibe. Em relação à toxicidade, destaca-se diarreia como o principal evento adverso. Diarreia em todos os graus ocorreu em 83% do grupo neratinibe em comparação com 66% no braço lapatinibe, sendo de grau 3 em 24% versus 13% para os braços neratinibe e lapatinibe, respectivamente.

A oncologista Debora Gagliato, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, comenta a aprovação: “embora estejam disponíveis excelentes opções de tratamento para pacientes com neoplasia de mama HER-2 positivo avançada, a resistência aos tratamentos eventualmente ocorre, e novas opções terapêuticas são fundamentais nesse contexto. No entanto, ressaltam-se algumas críticas ao estudo. Deve-se observar que apenas metade da coorte de pacientes incluídas havia sido submetida a tratamento prévio com T-DM1. Sabemos claramente que T-DM1 é superior, tanto em SLP quanto em SG, em relação à capecitabina e lapatinibe. Além disso, não houve ganho em SG para a população tratada neratinibe. Finalmente, trata-se de área na oncologia bastante promissora, com trastuzumabe deruxtecano já sendo realidade aprovada para tratamento nesse mesmo contexto nos EUA, e tucatinibe devendo também ser breve aprovado pelo FDA”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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