Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

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Novo inibidor da PARP aprovado para o tratamento do câncer de ovário no Brasil

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em 08 de março de 2021 o inibidor da PARP niraparibe para o tratamento de manutenção de pacientes portadoras de câncer de ovário avançado em dois diferentes cenários clínicos. Os dados do estudo PRIMA foram utilizados na aprovação do tratamento na doença estádio III irressecável ou com presença de tumor residual após abordagem cirúrgica, bem como na doença estádio IV, e os dados do estudo NOVA embasaram a aprovação do tratamento na doença recidivada sensível a platina.

O estudo PRIMA randomizou 733 pacientes a uma razão 2:1 para receberem niraparibe ou placebo como terapia de manutenção após apresentarem resposta (parcial ou completa) ao tratamento com seis a nove ciclos de quimioterapia baseada em platina. Cerca de um terço da população incluída no estudo apresentava doença estádio IV e pouco mais de dois terços apresentaram resposta completa ao tratamento quimioterápico. Após um seguimento mediano de 13,8 meses, o braço de niraparibe demonstrou benefício em sobrevida livre de progressão tanto na população com deficiência de recombinação homóloga (HR=0,43; IC de 95%: 0,31-0,59; p<0,001), bem como na população por intenção de tratamento (HR=0,62; IC de 95%: 0,50-0,76; p<0,001). O benefício em sobrevida livre de progressão em favor de niraparibe também foi apresentado independente da presença de mutação do BRCA. A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi 70,5% com niraparibe, destacando-se anemia, náuseas, trombocitopenia, constipação, fadiga e plaquetopenia como os eventos mais frequentes.

Já o estudo NOVA avaliou niraparibe ou placebo como terapia de manutenção em 553 pacientes com câncer de ovário recidivado sensível a platina em duas coortes separadas de acordo com a presença ou ausência de mutação germinativa de BRCA. No caso de ausência de mutação germinativa de BRCA, as pacientes da coorte ainda foram avaliadas quanto a deficiência de recombinação homóloga. Com um seguimento mediano de 16,9 meses, o tratamento com niraparibe demonstrou superioridade na sobrevida livre de progressão nas três populações estudadas: naquelas com mutação germinativa do BRCA (HR=0,27; IC de 95%: 0,17-0,41; p<0,001), nas pacientes com deficiência de recombinação homóloga e sem mutação germinativa de BRCA (HR=0,38; IC de 95%: 0,24-0,59; p<0,001) e nas pacientes proficientes para recombinação homóloga e sem alterações germinativas de BRCA (HR=0,45; IC de 95%: 0,34-0,61; p<0,001). O tratamento com niraparibe também demonstrou benefício nos desfechos secundários de eficácia, tais como intervalo livre de quimioterapia e tempo para o próximo tratamento sistêmico. A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 com niraparibe foi 74,1%.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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