Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

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Imunoterapia recebe aprovação inovadora para o tratamento adjuvante do câncer renal nos EUA

O FDA (Food and Drug Administration) anunciou em 17 de novembro de 2021 a aprovação do agente anti-PD-1 pembrolizumabe no tratamento adjuvante de pacientes com diagnóstico de carcinoma de células renais com risco intermediário-alto ou alto para recidiva após nefrectomia para doença localizada ou após metastasectomia completa para aqueles pacientes com recidiva em até 1 ano da nefrectomia.

A aprovação desta nova indicação de tratamento com o imunoterápico deriva dos resultados do estudo fase III KEYNOTE-564, que randomizou 994 pacientes a uma razão 1:1 entre tratamento adjuvante com pembrolizumabe ou placebo por 1 ano. A população incluída no estudo contemplava pacientes com risco intermediário-alto (pT2 com grau nuclear 4 ou componente sarcomatóide, ou pT3 de qualquer grau) ou alto (pT4 de qualquer grau ou pN+) de recidiva, além de pacientes com doença metastática submetidos a metastasectomia em um intervalo ≤ 1 ano da nefrectomia e que se apresentavam sem evidência de doença no momento da randomização.

Após um seguimento mediano de 24,1 meses, o tratamento adjuvante com pembrolizumabe reduziu em 32% o risco relativo de recidiva de doença ou óbito, desfecho primário do estudo, com medianas ainda não atingidas em ambos os braços (HR=0,68; IC de 95%: 0,53-0,87; p=0,002). A análise de sobrevida global ainda é imatura, com < 5% de eventos ocorridos na população. A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 associados ao tratamento foi de 18,9% no braço pembrolizumabe, destacando-se fadiga, diarreia, prurido, artralgia e hipotireoidismo como os eventos mais frequentes em qualquer grau.

O Dr. Fábio Schutz, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, destaca que “esta é a primeira aprovação de um inibidor de checkpoint imunológico anti-PD-1 no tratamento adjuvante capaz de prevenir a recidiva do carcinoma de células renais. Importante lembrar que neste cenário – após nefrectomia para doença localizada – já tínhamos a aprovação do uso de sunitinibe baseada no estudo S-TRAC. O sunitinibe demonstrou ganho estatístico de sobrevida livre de doença, porém também sem ganho de sobrevida global até o presente momento. Entretanto, comparações indiretas são inevitáveis: o sunitinibe é uma droga que está associada a eventos adversos significativos e que são, no geral, mais intolerantes que os inibidores de checkpoint imunológico, inclusive com piores escores de qualidade de vida quando comparados à imunoterapia (conforme os dados do estudo CheckMate-214, que comparou ipilimumabe e nivolumabe versus sunitinibe para a doença metastática). Desta forma, o uso de sunitinibe adjuvante não ganhou espaço devido ao fato de ser uma droga relativamente tóxica em associação à ausência de ganho em sobrevida global no cenário adjuvante. Neste sentido, o uso de pembrolizumabe apresenta grande potencial, pois é uma droga com perfil de eventos adversos muito mais favorável. A avaliação de sobrevida global ainda é imatura e, provavelmente, precisaremos de um tempo muito mais longo para fazer esta avaliação. Neste sentido, e enquanto não temos esta avaliação de sobrevida global, acredito que o uso de pembrolizumabe adjuvante deve ganhar espaço rapidamente. Esperamos que a aprovação do pembrolizumabe adjuvante chegue também logo ao Brasil”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

 

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