Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Cobertura de congressos

O que muda no MOC após a ESMO 2020

Entre os dias 19 e 21 de setembro ocorreu o congresso virtual da sociedade europeia de oncologia clínica (ESMO Virtual Congress 2020). Diversos trabalhos com grande impacto na prática clínica foram apresentados, e a equipe do Canal MOC apresenta um resumo das apresentações de maior relevância.

  • Câncer de mama

LBA15 Primary results from IMpassion131, a double-blind placebo-controlled randomised phase III trial of first-line paclitaxel (PAC) ± atezolizumab (atezo) for unresectable locally advanced/metastatic triple-negative breast cancer (mTNBC)

Estudo de fase III comparando a combinação de atezolizumabe e paclitaxel versus paclitaxel monoterapia como tratamento de primeira linha em 651 pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático. A adição de atezolizumabe a paclitaxel não foi associada a benefício em sobrevida livre de progressão (SLP) ou sobrevida global (SG) tanto na análise da população PDL-1 positiva (HR para SLP=0,82; IC de 95%: 0,60-1,12; p=0,20 e HR para SG=1,12; IC de 95%: 0,76-1,65) quanto na população por intenção de tratamento (HR para SLP=0,86; IC de 95%: 0,70-1,05 e HR para SG=1,11; IC de 95%: 0,87-1,42). A taxa de resposta na população PDL-1 positiva foi 63,4% versus 55,4% e na população por intenção de tratamento foi 53,6% versus 47,5% para os braços atezolizumabe com paclitaxel e paclitaxel monoterapia, respectivamente.

LBA16 IMpassion130: Final OS analysis from the pivotal phase III study of atezolizumab + nab-paclitaxel vs placebo + nab-paclitaxel in previously untreated locally advanced or metastatic triple-negative breast cancer

Análise final de sobrevida global do estudo de fase III IMpassion130, que comparou a combinação de atezolizumabe ou placebo a nab-paclitaxel como tratamento de primeira linha em 902 pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático. Com um seguimento mediando de 18,8 meses, os dados atualizados confirmam o benefício em sobrevida global apresentado na população PDL-1 positiva, com medianas de 25,4 meses para o braço que recebeu o imunoterápico versus 17,9 meses para aquelas tratadas apenas com quimioterapia (HR=0,67; IC de 95%: 0,53-0,86). Na análise por intenção de tratamento, não houve diferença em sobrevida global entre os braços (HR=0,87; IC de 95%: 0,75-1,02).

LBA17 ASCENT: A randomized phase III study of sacituzumab govitecan (SG) vs treatment of physician’s choice (TPC) in patients (pts) with previously treated metastatic triple-negative breast cancer (mTNBC)

O anticorpo conjugado a droga sacituzumabe govitecano foi comparado a quimioterapia à escolha do investigador (eribulina, vinorelbine, gencitabina ou capecitabina) em 529 pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático previamente expostas a ≥ 2 linhas de tratamento sistêmico nesse estudo de fase III. O braço tratado com sacituzumabe govitecano apresentou benefício em sobrevida livre de progressão (HR=0,41; IC de 95%: 0,32-0,52; p<0,0001) e sobrevida global (HR=0,48; IC de 95%: 0,38-0,59; p<0,0001), com sobrevida global mediana de 12,1 versus 6,7 meses. A taxa de resposta também foi superior no braço tratado com o anticorpo (35% versus 5%, p<0,0001). Os eventos adversos mais frequentes com o uso do anticorpo foram neutropenia, anemia, diarreia, náuseas, fadiga e alopecia.

LBA18 Overall survival (os) results from SOLAR-1, a phase III study of alpelisib (ALP) + fulvestrant (FUL) for hormone receptor-positive (HR+), human epidermal growth factor receptor 2-negative (HER2–) advanced breast cancer (ABC)

Análise de sobrevida global do estudo de fase III SOLAR-1, que investiga a adição de alpelisibe ou placebo a fulvestranto no tratamento de pacientes com câncer de mama com expressão de receptores hormonais (RH positivo) e HER-2 negativo metastático após tratamento prévio com inibidor da aromatase. Uma análise prévia já havia demonstrado o benefício do inibidor de PI3K alfa em sobrevida livre de progressão nas pacientes com mutação de PIK3CA (HR=0,65; IC de 95%: 0,50-0,85; p=0,00065), objetivo primário do estudo. Os dados apresentados no ESMO Virtual Congress 2020, referentes à análise final de sobrevida global nesta população selecionada demonstrou ausência de benefício em sobrevida global com a adição de alpelisibe a fulvestranto (HR= 0,86; IC de 95: 0,64-1,15; p=0,15). Os dados de segurança são coincidentes com os resultados prévios, com taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 em 78,1% das pacientes, destacando-se hiperglicemia, diarreia, náusea, redução do apetite, rash e vômito como toxicidades mais comuns.

LBA11 IMpassion031: Results from a phase III study of neoadjuvant (neoadj) atezolizumab + chemotherapy in early triple-negative breast cancer (TNBC)

A adição de atezolizumabe ao regime quimioterápico neoadjuvante com nab-paclitaxel, doxorrubicina e ciclofosfamida é avaliada nesse estudo de fase III em 333 pacientes com câncer de mama triplo-negativo estádio cT2-4 cN0-3 cM0. Destaca-se que após a cirurgia, as pacientes randomizadas ao braço de atezolizumabe receberam 11 ciclos adicionais do anticorpo anti-PDL-1. A adição de atezolizumabe ao regime quimioterápico foi associado a maior taxa de resposta patológica completa (57,6% versus 41,1%; p=0,0044). Quando o mesmo desfecho foi analisado na população PDL-1 positiva, a diferença apresentada não atingiu o nível de significância estatística pré-determinado (68,8% versus 49,3%; p=0,021). A análise dos desfechos de sobrevida livre de eventos, sobrevida livre de doença e sobrevida global ainda são imaturos. A taxa de eventos de graus ≥ 3 foi semelhante entre os grupos (62,8% versus 60,5%).

LBA12 PALLAS: A randomized phase III trial of adjuvant palbociclib with endocrine therapy versus endocrine therapy alone for HR+/HER2- early breast cancer

LBA5_PR Abemaciclib in high risk early breast cancer

Dois estudos de fase III avaliando a adição de um inibidor de ciclinas ao tratamento adjuvante do câncer de mama RH positivo HER-2 negativo.

No estudo PALLAS, 5.760 pacientes com doença estádios II-III foram randomizadas entre terapia hormonal associada ou não a palbociclibe. Com um seguimento mediano de 23,7 meses, a adição de palbociclibe a terapia hormonal adjuvante não demonstrou benefício em sobrevida livre de doença invasiva (HR=0,93; IC de 95%: 0,76-1,15; p=0,51) ou sobrevida livre de recidiva a distância (HR=1,00; IC de 95%: 0,79-1,27; p=0,9997). Destaca-se que 42,2% das pacientes descontinuaram o tratamento com palbociclibe precocemente, sendo a maioria dos casos (64,2%) em decorrência de eventos adversos.

Em contrapartida, o estudo monarchE avaliou a adição de abemaciclibe à hormonioterapia adjuvante em 5.637 pacientes com câncer de mama de alto risco (≥ 4 linfonodos positivos, ou 1-3 linfonodos positivos associado a um dos seguintes: tumor ≥ 5 cm, grau histológico 3 ou Ki67 ≥ 20%). Com um seguimento mediano de 15,5 meses, a adição de abemaciclibe reduziu em 25% o risco de recorrência de doença invasiva ou morte (HR=0,75; IC de 95%: 0,60-0,93; p=0,0096), além de também ser associada a benefício em sobrevida livre de recorrência a distância (HR=0,72; IC de 95%: 0,56-0,92; p=0,0085). A análise de segurança demonstrou um perfil de toxicidades semelhante ao uso de abemaciclibe em outros cenários, sendo diarreia o evento adverso mais frequente.

 

  • Câncer de pulmão

LBA51 KEYNOTE-024 5-year OS update: First-line (1L) pembrolizumab (pembro) vs platinum-based chemotherapy (chemo) in patients (pts) with metastatic NSCLC and PD-L1 tumour proportion score (TPS) ≥50%

Atualização do estudo KEYNOTE-024, que randomizou 305 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas metastático com expressão de PDL-1 ≥ 50% entre pembrolizumabe ou quimioterapia como terapia de primeira linha. Com um seguimento mediano de 59,9 meses, a taxa de sobrevida global aos 60 meses é de 31,9% versus 16,3% para os braços pembrolizumabe e quimioterapia, respectivamente, com duração mediana de resposta de 29,1 versus 6,3 meses. Destaca-se que 12 pacientes foram reexpostos a pembrolizumabe após progressão, sendo que um terço deles (33%) apresentou resposta ao segundo tratamento com o imunoterápico.

LBA2 Lorlatinib vs Crizotinib in the First-line Treatment of Patients (pts) with Advanced ALK-Positive Non-Small Cell Lung Cancer (NSCLC): Results of the Phase 3 CROWN Study.

O estudo de fase III CROWN randomizou 296 pacientes com câncer de pulmão avançado de células não pequenas apresentando rearranjo do ALK entre terapia de primeira linha com lorlatinibe ou crizotinibe. A análise do desfecho primário do estudo demonstrou que o tratamento com lorlatinibe reduziu em 72% o risco de progressão de doença ou morte em comparação ao outro inibidor de tirosina quinase do ALK (HR=0,72; IC de 95%: 0,19-0,41; p<0,001). Adicionalmente, a taxa de resposta com o uso de lorlatinibe foi superior (76% versus 58%), assim como a taxa de resposta intracraniana (66% versus 20%). Não foi demonstrada diferença em sobrevida global nessa análise interina dos dados (HR=0,72; IC de 95%: 0,41-1,25). No tocante a toxicidade, os principais eventos adversos com lorlatinibe foram hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, edema, ganho de peso e neuropatia periférica. A análise de qualidade de vida global demonstra também demonstrou superioridade com o uso de lorlatinibe (p<0,01).

LBA1 Osimertinib adjuvant therapy in patients (pts) with resected EGFR mutated (EGFRm) NSCLC (ADAURA): Central nervous system (CNS) disease recurrence

Uma análise exploratória pré-especificada do estudo ADAURA foi avaliada no ESMO Virtual Congress 2020, avaliando o risco de recorrência de doença no sistema nervoso central (SNC) nos pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas estádios IB-IIIA com mutação de sensibilidade do EGFR randomizados entre osimertinibe ou placebo adjuvantes. A taxa de recorrência no SNC foi 1% versus 10% para osimertinibe e placebo, respectivamente, com uma redução de 82% no risco de recorrência de doença no SNC ou morte em favor do braço que recebeu tratamento adjuvante com o inibidor de tirosina quinase (HR=0,18; IC de 95%: 0,10-0,33; p<0,0001).

1258O Amivantamab (JNJ-61186372), an EGFR-MET bispecific antibody, in combination with lazertinib, a 3rd-generation tyrosine kinase inhibitor (TKI), in advanced EGFR NSCLC

Estudo de fase I avaliando a combinação do anticorpo bi-específico dirigido ao EGFR e MET amivantamabe em combinação ao inibidor de tirosina quinase do EGFR de terceira geração lazertinibe no tratamento de pacientes portadores de câncer de pulmão de células não pequenas metastático com mutação de sensibilidade do EGFR. A eficácia do regime foi avaliada em duas diferentes coortes: pacientes com doença resistente a osimertinibe, porém sem exposição a quimioterapia, e naqueles sem história de tratamento sistêmico prévio. No tocante a segurança, a taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi 34%, e apenas 6% dos pacientes necessitaram de suspender uma ou ambas as drogas em decorrência de toxicidades. A taxa de resposta nos pacientes previamente expostos a osimertinibe (na primeira ou segunda linha de tratamento) foi 36%, com benefício clínico demonstrado em 60% dos pacientes. Naqueles sem tratamento prévio, a totalidade dos pacientes (100%) apresentou resposta ao tratamento. Baseado nos resultados, um estudo de fase III será conduzido avaliando o regime combinado em comparação a osimertinibe ou lazertinibe monoterapia como tratamento de primeira linha.

1214O Neoadjuvant durvalumab in resectable non-small cell lung cancer (NSCLC): Preliminary results from a multicenter study (IFCT-1601 IONESCO)

1215O Neoadjuvant atezolizumab (A) for resectable non-small cell lung cancer (NSCLC): results from the phase II PRINCEPS trial

Dois estudos franceses avaliando o tratamento neoadjuvante com anticorpos anti-PDL-1 no câncer de pulmão de células não pequenas localizado.

O estudo IONESCO avaliou a administração de 3 doses de durvalumabe em 46 pacientes com doença estádios IB ≥ 4 cm, II ou IIIA sem N2. Esse estudo foi suspenso precocemente devido ao excesso de mortalidade nos 90 dias pós-operatórios, sem relação direta com o tratamento com durvalumabe. A taxa de ressecção completa (R0) foi 89,1%, com taxa de resposta avaliada por RECIST 1.1 de 8,7% e taxa de resposta patológica maior (MPR) de 18,6%. Com um seguimento mediano de 23 meses, não houve nenhum óbito ou recidiva de doença nos pacientes que apresentaram MPR.

O estudo PRINCEPS utilizou uma única dose neoadjuvante de atezolizumabe no tratamento de 30 pacientes com doença estádios I-IIIA ≥ 2 cm. A taxa de resposta por RECIST 1.1 foi 7%, e a taxa de MPR foi 14%. Destaca-se que não houve relação entre resposta por imagem e MPR, tanto através da análise de tomografia computadorizada (p=0,2) quanto avaliando PET-CT (p=0,55). Entretanto, tumores com maior expressão de PDL-1 apresentaram relação direta com maior chance de resposta patológica (p=0,0051).

LBA50 ACTIVE: Apatinib plus gefitinib versus placebo plus gefitinib as first-line treatment for advanced epidermal growth factor receptor-mutant (EGFRm) non-small-cell lung cancer (NSCLC): A multicentered, randomized, double-blind, placebo-controlled phase III trial (CTONG1706)

Estudo de fase III chinês avaliando o tratamento com gefitinibe em monoterapia ou combinado a apatinibe, um inibidor de tirosina quinase do VEGFR2, como tratamento de primeira linha de 313 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas avançado portadores de mutação sensibilizadora do EGFR. A sobrevida livre de progressão foi superior no braço que recebeu o tratamento combinado (HR=0,71; IC de 95%: 0,54-0,95; p=0,0189). Não houve diferença na taxa de resposta entre os braços (77,1% versus 73,7%; p=0,5572). A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi 84,1% e 37,7% para os braços gefinitinibe + apatinibe e gefinitibe monoterapia, respectivamente.

LBA52 EMPOWER-Lung 1: Phase III first-line (1L) cemiplimab monotherapy vs platinum-doublet chemotherapy (chemo) in advanced non-small cell lung cancer (NSCLC) with programmed cell death-ligand 1 (PD-L1) ≥50%

Estudo de fase III avaliando o tratamento de 710 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas e expressão de PDL-1 ≥ 50% randomizados entre o anticorpo anti-PD-1 cemiplimabe ou quimioterapia. Um ponto interessante no desenho do estudo é que os pacientes do braço imunoterapia poderiam, após um evento de progressão, receber 4 ciclos de quimioterapia em combinação à continuação do imunoterápico. Após um tempo mediano de seguimento de 13,1 meses, o tratamento com cemiplimabe demonstrou benefício em sobrevida global, um dos objetivos coprimários do estudo, com medianas de 22,1 versus 14,3 meses (HR=0,68; IC de 95%: 0,53-0,87; p=0,0022). A sobrevida livre de progressão mediana, outro objetivo coprimário do estudo, foi igualmente superior no braço que recebeu cemiplimabe, com medianas de 6,2 versus 5,6 meses (HR=0,59; IC de 95%: 0,49-0,72; p<0,0001). A taxa de resposta também foi superior no braço tratado com o anticorpo (36,5% versus 20,6%; p<0,0001), além de demonstrar melhores resultados na análise de qualidade de vida. A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi 37,2% e 48,5% nos braços cemiplimabe e quimioterapia, respectivamente.

LBA3_PR An international randomized trial, comparing post-operative conformal radiotherapy (PORT) to no PORT, in patients with completely resected non-small cell lung cancer (NSCLC) and mediastinal N2 involvement: Primary end-point analysis of LungART (IFCT-0503, UK NCRI, SAKK) NCT00410683

O papel da radioterapia adjuvante na doença ressecada com linfonodo mediastinal (N2) comprometido foi avaliado nesse estudo de fase III. Nele, 501 pacientes foram randomizados entre tratamento radioterápico adjuvante ou não combinados a cirurgia em adição a quimioterapia perioperatória à escolha do investigador. Com um seguimento mediano de 4,8 anos, o uso de radioterapia adjuvante não demonstrou benefício em sobrevida livre de doença, objetivo principal do estudo (HR=0,85; IC de 95%: 0,67-1,07; p=0,16). Quando o desfecho foi analisado de acordo com os eventos apresentados pelos pacientes, o braço que recebeu radioterapia apresentou menor taxa de recidiva mediastinal (25% versus 46,1%), porém maior taxa de óbitos (14,6% versus 5,3%). A taxa de sobrevida global aos 3 anos, objetivo secundário do estudo, foi semelhante entre os grupos (68,5% versus 66,5% nos braços controle e radioterapia, respectivamente). Adicionalmente, a taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi maior no braço tratado com radioterapia adjuvante (23,7% versus 15%).

 

  • Tumores Geniturinários

 697O A phase III, randomized, open-label study of first-line durvalumab (D) with or without tremelimumab (T) vs standard of care chemotherapy in patients with unresectable, locally advanced or metastatic urothelial carcinoma (DANUBE)

LBA23 Pembrolizumab (P) combined with chemotherapy (C) vs C alone as first-line (1L) therapy for advanced urothelial carcinoma (UC): KEYNOTE-361

Dois estudos negativos com o uso de inibidores de checkpoint no tratamento de primeira linha do carcinoma urotelial avançado.

No estudo DANUBE, 1.032 pacientes foram randomizados entre durvalumabe, durvalumabe com tremelimumabe ou quimioterapia. Após um seguimento mediano de 41,2 meses, os braços durvalumabe monoterapia e durvalumabe combinado a tremelimumabe não demonstraram superioridade em sobrevida global em comparação a quimioterapia (HR=0,89; IC de 95%: 0,71-1,11; p=0,3039; e HR=085; IC de 95%:0,72-1,02; p=0,0751, respectivamente), objetivos principais do estudo.

Já no estudo KEYNOTE-361, 1.010 pacientes foram randomizados entre pembrolizumabe monoterapia, pembrolizumabe combinado a quimioterapia ou quimioterapia como tratamento de primeira linha para a doença avançada. A análise conduzida com um seguimento mediano de 31,7 meses demonstrou que a combinação de pembrolizumabe a quimioterapia não foi superior a quimioterapia em sobrevida livre de progressão (HR=0,78; IC de 95%: 0,65-0,93; p=0,0033; valor pré-especificado de p ≤ 0,0019) ou sobrevida global (HR=0,86; IC de 95%: 0,72-1,02; p = 0,0407; valor pré-especificado de p ≤ 0,0142), objetivos coprimários do estudo. Da mesma maneira, o tratamento com pembrolizumabe monoterapia também não foi superior a quimioterapia, mesmo na avaliação da população selecionada com alta expressão de PDL-1 (HR para sobrevida global=1,01; IC de 95%: 0,77-1,32).

LBA24 TROPHY-U-01 Cohort 1 Final Results: A Phase 2 Study of Sacituzumab Govitecan (SG) in Metastatic Urothelial Cancer (mUC) That Has Progressed After Platinum (PLT) and Checkpoint Inhibitors (CPI)

Resultados finais do estudo fase II TROPHY-U-01 na coorte de pacientes com carcinoma urotelial avançado previamente expostos a quimioterapia com platina e inibidores de checkpoint. A taxa de resposta ao anticorpo conjugado a droga sacituzumabe govitecano nessa população foi 27%, com duração mediana de 5,9 meses. A sobrevida livre de progressão mediana e sobrevida global mediana foram 5,4 e 10,5 meses, respectivamente. Aproximadamente um terço da população (30%) necessitou de fator estimulador de colônias de granulócitos. Destacam-se dentre os eventos adversos neutropenia e neutropenia febril, diarreia, náuseas, fadiga e alopecia. Um estudo de fase III para avaliação da droga está em andamento.

696O_PR Nivolumab + cabozantinib vs sunitinib in first-line treatment for advanced renal cell carcinoma: first results from the randomized phase 3 CheckMate 9ER trial

O estudo de fase III CheckMate 9ER avaliou a combinação de nivolumabe e cabozantinibe como tratamento de primeira linha do carcinoma de células renais avançado. Com 651 pacientes randomizados e 18,1 meses de seguimento mediano, o estudo atingiu seu objetivo primário demonstrando redução de 49% no risco de progressão de doença ou morte com o uso da combinação quando comparado a sunitinibe (HR=0,51; IC de 95%: 0,41-0,64; p<0,0001). A análise de sobrevida global também demonstrou benefício em favor da combinação de nivolumabe e cabozantinibe (HR=0,60; IC de 95%: 0,40-0,89; p=0,0010). A taxa de resposta foi superior com o regime combinado (55,7% versus 27,1%; p<0,0001), incluindo 8% dos pacientes com respostas completas. A análise de qualidade de vida demostrou benefício estatisticamente significativo em favor do braço nivolumabe e cabozantinibe. Na avaliação de segurança, a taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 com o combo foi 75%.

LBA4 IPATential150: Phase III study of ipatasertib (ipat) plus abiraterone (abi) vs placebo (pbo) plus abi in metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC)

Resultados iniciais do estudo de fase III IPATential150, que avalia o inibidor de AKT ipatasertibe no tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático resistente a castração em combinação a abiraterona. Com um seguimento mediano de 19 meses, o tratamento combinado demonstrou benefício em sobrevida livre de progressão radiográfica em comparação a abiraterona na população com perda de PTEN avaliada por imunohistoquímica (HR=0,77; IC de 95%: 0,61-0,98; p=0,0335), um dos objetivos primários do estudo. A taxa de resposta objetiva também foi maior com o tratamento combinado na população selecionada (61% versus 39%), assim como a taxa de resposta por PSA (84% versus 72%) e o tempo para progressão de PSA (7,6 versus 12,6 meses; HR=0,69; IC de 95%: 0,55-0,87; p=0,0013). Os dados de sobrevida global ainda são imaturos na presente análise. No tocante a segurança, a taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi maior com o tratamento combinado (39% versus 70,1%), destacando-se rash cutâneo, diarreia, hiperglicemia e elevação de transaminases.

 

  • Tumores Gastrintestinais

398O Effect of 5 years of imaging and CEA follow-up to detect recurrence of colorectal cancer (CRC) – PRODIGE 13 a FFCD phase III trial

Estudo avaliando o impacto da dosagem sérica de CEA e uso de tomografia computadorizada em 2.009 pacientes portadores de adenocarcinoma colorretal estádios II ou III ressecado. Com seguimento mediano de 6,5 anos, o acompanhamento intensivo com dosagem sérica de CEA e/ou realização de tomografia computadorizada foi associado a maior taxa de abordagem cirúrgica na doença recidivada dentre os pacientes com tumor primário de cólon (p=0,0035). Entretanto, não foi demonstrada diferença na sobrevida global em 5 anos (p=0,340), objetivo primário do estudo, com a inclusão de CEA e/ou tomografia computadorizada de rotina no acompanhamento pós-operatório.

981O Hepatic arterial infusion chemotherapy (HAIC) with oxaliplatin, fluorouracil, and leucovorin (FOLFOX) versus transarterial chemoembolization (TACE) for unresectable hepatocellular carcinoma (HCC): A randomised phase III trial

Estudo de fase III asiático que randomizou 315 pacientes com carcinoma hepatocelular irressecável não metastático entre quimioterapia intra-arterial hepática com FOLFOX ou quimioembolização. O tratamento com quimioterapia intra-arterial hepática foi associado a benefício em sobrevida global (medianas de 23,1 versus 16,1 meses; HR=0,58; IC de 95%: 0,45-0,75; p<0,001), sobrevida livre de progressão (HR=0,55; IC de 95%: 0,43-0,71; p<0,001), superior taxa de resposta (45,9% versus 17,9%; p<0,001) e menor taxa de eventos adversos graves relacionados ao tratamento (19% versus 30%; p=0,03).

LBA6_PR Nivolumab (NIVO) Plus Chemotherapy (Chemo) Versus Chemo as First-Line (1L) Treatment for Advanced Gastric Cancer/Gastroesophageal Junction Cancer (GC/GEJC)/Esophageal Adenocarcinoma (EAC): First Results of the CheckMate 649 Study

O papel de inibidores de checkpoint no tratamento de primeira linha do câncer gástrico, da junção gastroesofágica ou adenocarcinoma esofágico avançado foi avaliado no estudo de fase III CheckMate 649. No ESMO Virtual Congress 2020, foram apresentados os dados referentes aos 1.581 pacientes randomizados entre nivolumabe associado a quimioterapia (XELOX ou FOLFOX) ou quimioterapia isolada. Com um seguimento mínimo de 12,1 meses, o estudo atingiu seu objetivo primário, demonstrando benefício em sobrevida global (HR=0,71; IC de 95%: 0,59-0,86; p<0,0001) e sobrevida livre de progressão (HR=0,68; IC de 95%: 0,56-0,81; p<0,0001) em favor do braço nivolumabe no subgrupo de pacientes com expressão de PDL-1 por escore combinado positivo (CPS) ≥ 5. Adicionalmente, a sobrevida global (HR=0,80; IC de 95%: 0,68-0,94; p=0,0002) e a sobrevida livre de progressão (HR=0,77; IC de 95%: 0,68-0,87) também foram superiores no braço nivolumabe quando toda a população do estudo foi avaliada. A taxa de resposta e a duração mediana de resposta foram igualmente superiores na população selecionada (60% versus 45% e 9,5 versus 7,0 meses, respectivamente).

LBA7_PR Nivolumab plus chemotherapy versus chemotherapy alone in patients with previously untreated advanced or recurrent gastric/gastroesophageal junction (G/GEJ) cancer: ATTRACTION-4 (ONO-4538-37) study

A combinação de nivolumabe com quimioterapia (SOX ou CapeOx) também foi avaliada em pacientes asiáticos com tumores gástricos ou da junção gastroesofágica no estudo ATTRACTION-4. Nele, 724 pacientes foram randomizados entre nivolumabe e quimioterapia ou quimioterapia isolada. A sobrevida livre de progressão foi superior no braço que recebeu o imunoterápico (HR=0,68; IC de 95%: 0,51-0,90; p=0,0007) assim como a taxa de resposta (57,5% versus 47,8%), entretanto não houve benefício em sobrevida global (HR=0,90; IC de 95%: 0,75-1,08; p=0,257).

LBA8_PR Pembrolizumab Plus Chemotherapy Versus Chemotherapy as First-Line Therapy in Patients With Advanced Esophageal Cancer: The Phase 3 KEYNOTE-590 Study

O estudo KEYNOTE-590 avaliou a adição do anticorpo anti-PD-1 pembrolizumabe ao esquema de quimioterapia com 5-FU e cisplatina para o tratamento de 749 pacientes com câncer de esôfago avançado (histologias adenocarcinoma ou carcinoma escamoso) ou carcinoma de junção gastroesofágica. O regime terapêutico de 5-FU, cisplatina e pembrolizumabe foi associado a benefício em sobrevida global (HR=0,73; IC de 95%: 0,62-0,86; p<0,0001), sobrevida livre de progressão (HR=0,65; IC de 95%: 0,55-0,76; p<0,0001) e superior taxa de resposta (45% versus 29,3%) em comparação ao mesmo regime sem o imunoterápico.

LBA9_PR Adjuvant Nivolumab in Resected Esophageal or Gastroesophageal Junction Cancer (EC/GEJC) Following Neoadjuvant Chemoradiation Therapy (CRT): First Results of the CheckMate 577 Study

O estudo CheckMate 577 avaliou o tratamento adjuvante com nivolumabe por 1 ano após quimioirradiação neoadjuvante seguida de ressecção cirúrgica em 794 pacientes com câncer de esôfago apresentando doença patológica residual. Com um seguimento mediano de 24,4 meses, o tratamento adjuvante com nivolumabe reduziu em 31% o risco de recorrência de doença ou morte (HR=0,69; IC de 95%: 0,56-0,86; p=0,0003). A taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi 34% no braço nivolumabe e 32% no braço placebo, e a qualidade de vida foi semelhante entre os braços.

 

  • Melanoma

LBA43 Spartalizumab plus dabrafenib and trametinib (Sparta-DabTram) in patients (pts) with previously untreated BRAF V600–mutant unresectable or metastatic melanoma: Results from the randomized part 3 of the phase III COMBI-i trial

A adição do anticorpo anti-PD-1 spartalizumabe à combinação de dabrafenibe e trametinibe foi avaliada em 532 pacientes com melanoma avançado no estudo de fase III COMBI-i. Com um seguimento mediano de 27,2 meses, não houve benefício na sobrevida livre de progressão com o tratamento triplo quando comparado ao braço que recebeu dabrafenibe e trametinibe (HR=0,82; IC de 95%: 0,66-1,03; p=0,042). Conforme o desenho do estudo, a sobrevida global não foi testada estatisticamente, e as medianas não foram alcançadas em ambos os braços. A taxa de resposta foi 68,5% versus 64,2% nos braços triplo e duplo, respectivamente, e a taxa de eventos adversos de graus ≥ 3 foi superior no braço tratado com o regime triplo (54,7% versus 33,3%).

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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