Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Carcinoma Urotelial

Inibidor de checkpoint recebe aprovação inédita no carcinoma urotelial superficial

Novas estratégias terapêuticas vêm sendo exploradas no carcinoma urotelial superficial de risco alto, tanto na busca de alcançar melhores desfechos oncológicos, quanto na tentativa de suprir a disponibilidade limitada do tratamento-padrão (bacilo de Calmette-Guérin – BCG). Uma aprovação inédita nesse cenário foi divulgada pelo FDA (Food and Drug Administration) em 8 de janeiro de 2020. O órgão norte-americano aprovou o anticorpo monoclonal anti-PD-1 pembrolizumabe para o tratamento de pacientes com carcinoma urotelial não-músculo invasivo refratários a tratamento com BCG.

A aprovação anunciada é baseada no estudo de fase II KEYNOTE-057. Na coorte analisada, 96 pacientes com carcinoma urotelial in situ BCG-refratário (apresentando ou não componente papilar) foram recrutados para receber tratamento com pembrolizumabe, 200 mg IV, a cada 3 semanas, por até 24 meses (dado ausência de progressão de doença ou toxicidades limitantes). A taxa de resposta completa (desfecho composto por cistoscopia, citologia urinária e tomografia computadorizada negativos) foi de 41%, com duração mediana do benefício de 16,2 meses. A duração de resposta foi de ao menos 12 meses em 46% dos respondedores. Os eventos adversos do estudo estão de acordo com aqueles reportados com o uso de pembrolizumabe em outros cenários. O estudo continua em andamento, contemplando ainda a análise de uma coorte de pacientes com doença papilar sem a presença de componente in situ.

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Dr. Fábio Schütz, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, comenta: “a aprovação de pembrolizumabe no cenário de pacientes com carcinoma de bexiga não-músculo invasivo com doença refratária à BCG é bastante importante, pois estes pacientes não tinham outras opções de tratamento de eficácia comprovada e muitos acabavam tendo indicação para cistectomia. Esta aprovação foi baseada em estudo fase 2 de braço único, e o tempo de seguimento é relativamente curto. Importante lembrar que “apenas” 46% dos pacientes encontravam-se em resposta após seguimento de 1 ano. Um tempo maior de seguimento é imperativo para podermos avaliar melhor as chances de controle da doença no longo prazo e quem sabe considerar inclusive uma possibilidade de cura”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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