O adenocarcinoma gástrico e da junção gastroesofágica (JGE) representa um dos maiores desafios oncológicos globais. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta aproximadamente 22.530 novos casos por ano durante o triênio 2026-2028, posicionando a doença como a quinta neoplasia mais frequente no país.1 A maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados, com prognóstico reservado e sobrevida mediana inferior a 12 meses com quimioterapia convencional.2
Nas últimas décadas, a incorporação de novos agentes, como o trastuzumabe para tumores HER-2 positivos e,3 posteriormente, a emergência dos inibidores de checkpoint imune abriu uma nova perspectiva terapêutica em pacientes selecionados.4 Nesse contexto, o tislelizumabe, um anticorpo monoclonal anti-PD-1, emerge como uma nova opção para este cenário, com dados robustos de eficácia e segurança provenientes do estudo de fase III RATIONALE-305,5 cujos resultados foram utilizados para embasar a aprovação regulatória do anticorpo pelo FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos e, mais recentemente, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil.
Neste Vídeo-MOC, o Dr. Eduardo Saadi Neto, oncologista clínico do Centro de Tratamento Oncológico de Ribeirão Preto, apresenta o desenho do estudo, os resultados de eficácia e segurança do RATIONALE-305 e discute como esses dados impactam o algoritmo terapêutico do adenocarcinoma gástrico e da JGE avançado na prática clínica. A discussão é conduzida e moderada pelo Dr. Fabio Kater, oncologista clínico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, que traz perspectivas práticas sobre a seleção de pacientes, o papel da expressão de PD-L1 como biomarcador e o posicionamento do tislelizumabe no sequenciamento terapêutico desta doença. Não perca esta análise aprofundada, repleta de informações práticas para transformar o seu manejo clínico. Confira o vídeo acima!
Bibliografia:
1. Martins LFL, Chaves GV, Oliveira JFP, et al: Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões: Estimativas para o Triênio 2026-2028. Revista Brasileira de Cancerologia 72:e-025587, 2026
2. Wagner AD, Syn NL, Moehler M, et al: Chemotherapy for advanced gastric cancer. Cochrane Database Syst Rev 8:Cd004064, 2017
3. Bang YJ, Van Cutsem E, Feyereislova A, et al: Trastuzumab in combination with chemotherapy versus chemotherapy alone for treatment of HER2-positive advanced gastric or gastro-oesophageal junction cancer (ToGA): a phase 3, open-label, randomised controlled trial. Lancet 376:687-97, 2010
4. Janjigian YY, Shitara K, Moehler M, et al: First-line nivolumab plus chemotherapy versus chemotherapy alone for advanced gastric, gastro-oesophageal junction, and oesophageal adenocarcinoma (CheckMate 649): a randomised, open-label, phase 3 trial. Lancet 398:27-40, 2021
5. Cruz-Correa M, Oh DY, Kato K, et al: Tislelizumab + Chemotherapy in Gastric Cancer: Long-Term RATIONALE-305 Randomized Trial Follow-up. Adv Ther 43:165-183, 2026