O câncer de mama com expressão de receptores hormonais positivos (RH positivo) e HER-2 negativo representa o subtipo mais prevalente da doença, respondendo por aproximadamente 70% dos diagnósticos.1
Durante décadas, pacientes classificadas como HER-2 negativas ao teste imunohistoquímico (IHQ) convencional foram tratadas de maneira uniforme, sem consideração às nuances da expressão proteica da molécula. Esse paradigma começou a se transformar com a introdução do conceito de HER-2 baixo (low), definido como escore IHQ 1+ ou 2+ com hibridização in situ negativa, categoria que abrange cerca de 60 a 65% dos tumores mamários, até então rotulados simplesmente como HER-2 negativos.2 Mais recentemente, um subestrato ainda mais sutil emergiu na literatura: o HER-2 ultrabaixo (ultralow), definido como escore IHQ 0 com coloração de membrana tênue em ≤ 10% das células tumorais, presente em aproximadamente 25% dos casos de câncer de mama RH positivo HER-2 negativo.2 Essa reclassificação não é meramente semântica: ela reflete uma janela terapêutica biologicamente relevante, com implicações diretas sobre a indicação de novas terapias dirigidas e coloca o patologista e o oncologista diante de um desafio interpretativo inadiável. A indicação terapêutica utilizando uma droga dirigida ao HER-2 neste cenário é baseada no estudo de fase III DESTINY-Breast06, desenhado para avaliar a eficácia e segurança do anticorpo conjugado a droga trastuzumabe deruxtecana.3 Essa mudança de paradigma e oportunidade terapêutica exigem, cada vez mais, estreita colaboração entre oncologistas e patologistas, treinamento específico de equipes laboratoriais e padronização dos critérios de leitura, temas de enorme relevância prática. Neste Vídeo-MOC, o Dr. Romualdo Barroso, oncologista clínico da Rede Américas, conduz uma análise aprofundada do estudo DESTINY-Breast06, seguida de uma apresentação pela Dra. Ruana Rocha, patologista da Rede D’Or e Argos Patologia, sobre o racional científico e as implicações da nova classificação histopatológica para a prática clínica. O Dr. Carlos H. Barrios, oncologista clínico e editor do MOC, modera a discussão deste vídeo imperdível, com conteúdos essenciais para atualizar a sua prática clínica na era do HER-2 contínuo. Acesse o vídeo acima e confira!Bibliografia:
1. Viale G, Basik M, Niikura N, et al: Retrospective study to estimate the prevalence and describe the clinicopathological characteristics, treatments received, and outcomes of HER2-low breast cancer. ESMO Open 8:101615, 2023
2. Denkert C, Seither F, Schneeweiss A, et al: Clinical and molecular characteristics of HER2-low-positive breast cancer: pooled analysis of individual patient data from four prospective, neoadjuvant clinical trials. Lancet Oncol 22:1151-1161, 2021
3. Bardia A, Hu X, Dent R, et al: Trastuzumab Deruxtecan after Endocrine Therapy in Metastatic Breast Cancer. N Engl J Med 391:2110-2122, 2024