Voltar ao canal MOC

Diversos Notícias

Quimioterapia hipertérmica intraperitoneal aumenta a sobrevida em câncer de ovário


Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida.

 

Estudo fase III recentemente publicado pelo New England Journal of Medicine avaliou o papel da adição de quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC) em pacientes com câncer de ovário estadio III recém-diagnosticadas.

Foram randomizadas 245 pacientes com tumores epiteliais de ovário, tuba uterina ou peritônio estadio III sem tratamento prévio para o tratamento de quimioterapia perioperatória com cirurgia citorredutora de intervalo associada ou não a HIPEC.

No desenho do estudo, as pacientes eram tratadas com 3 ciclos pré-operatórios de carboplatina + paclitaxel a cada 3 semanas, e então avaliadas para cirurgia citorredutora. Aquelas com expectativa de citorredução completa ou ótima (isto é, doença residual ≤ 10 mm) foram randomizadas 1:1 para receberem ou não quimioterapia intraperitoneal hipertérmica com cisplatina. Após a cirurgia, as pacientes de ambos os grupos receberiam outros 3 ciclos pós-operatórios de quimioterapia com carboplatina + paclitaxel.

Como resultados, na análise dos dados com seguimento mediano de 4,7 anos, as pacientes que receberam HIPEC obtiveram benefício estatisticamente significativo em sobrevida livre de recorrência (HR 0,66; IC 95%, 0,50-0,87; p=0,003) e sobrevida global (45,7 versus 33,9 meses; HR 0,67; IC 95%, 0,48-0,94; p=0,02).

Em relação aos efeitos adversos, não houve diferença nos eventos de graus 3/4 entre as pacientes submetidas a HIPEC ou não (27% versus 25% respectivamente), entretanto o grupo que recebeu quimioterapia hipertérmica teve maior necessidade de colostomia ou ileostomia (72% versus 43%, p=0,04) e também uma maior taxa de infecção (18% versus 11%). No entanto, não houve diferença no tempo de internação mediano (10 dias no braço HIPEC versus 8 dias), bem como na taxa de pacientes que completou os 3 ciclos de tratamento quimioterápico pós-operatório (90% no braço HIPEC versus 94%).

Segundo a Dra. Aknar Calabrich, oncologista da clínica AMO e membro do corpo editorial do MOC, “esse é o primeiro estudo de fase III que avaliou o papel de HIPEC em pacientes com câncer de ovário recém diagnosticadas, demonstrando benefício significativo na SLP e SG. Portanto, HIPEC deve ser oferecida às pacientes com câncer de ovário  não passível de citorredução inicial, sem comorbidades relevantes e que serão tratadas em centros com experiência nesse tipo de tratamento“.

 

Veja também:

Aula do Dr. Fernando Cotait Maluf sobre estudos relevantes na área de câncer ginecológico apresentados na ESMO 2017.