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Imunoterapia é aprovada no Brasil para o câncer de pulmão localmente avançado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou em 2 de julho de 2018 o tratamento com o anticorpo monoclonal anti-PDL-1 durvalumabe para pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas localmente avançado após tratamento com quimiorradioterapia.

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A aprovação anunciada baseia-se nos dados do estudo fase III PACIFIC, que randomizou 713 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas estádio III irressecável, que não apresentaram progressão após protocolo de quimioirradiação, para receberem tratamento com durvalumabe ou placebo. Em análise interina dos dados apresentada no último congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica (ESMO 2017), o estudo atingiu um de seus objetivos coprimários, promovendo benefício estatisticamente significativo de 11,2 meses em sobrevida livre de progressão em favor do grupo que recebeu tratamento com durvalumabe (16,8 versus 5,6 meses; HR 0,52; IC 95%; 0,42-0,65; P <0,0001). Tal benefício foi atingido independente da expressão de PD-L1. O grupo que recebeu durvalumabe também teve melhor controle de doença sistêmica – por exemplo, a incidência de novas lesões em sistema nervoso central foi de 5,5%, comparado com 11% no braço que recebeu placebo. A segurança do tratamento também foi avaliada, com taxa de eventos adversos de graus ≥3 semelhante entre os dois braços de tratamento (29,9% no grupo que recebeu durvalumabe versus 26,1% no braço que recebeu placebo).

Recentemente, a farmacêutica AstraZeneca anunciou que o estudo também foi positivo para seu outro objetivo coprimário, promovendo benefício estatisticamente significativo em sobrevida global na população tratada com durvalumabe, entretanto a magnitude do benefício ainda não foi divulgada.

Segundo a Dra. Carolina Kawamura Haddad, oncologista clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “o uso da imunoterapia no câncer de pulmão localmente avançado é uma estratégia completamente inovadora, representando uma mudança de paradigma na história natural da doença. Apesar de a quimiorradioterapia ser uma estratégia potencialmente curativa, às custas de seu bom controle local, o controle à distância sempre foi uma necessidade não atendida. Cerca de 80% dos casos apresentam recorrência sistêmica em sua história natural, e nenhuma outra estratégia como tratamento de consolidação após a quimiorradioterapia havia demonstrado benefício neste cenário. O uso de durvalumabe, por sua vez, mostrou-se altamente eficaz, com ganho não só de sobrevida livre de progressão e taxa de resposta objetiva, mas também de sobrevida global. Além do mais, o seu perfil de toxicidade é muito favorável. Certamente o estudo PACIFIC estabelece um novo padrão-ouro no tratamento de câncer de pulmão localmente avançado após quimiorradioterapia, independente de qualquer biomarcador, como PDL-1 ou EGFR”.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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