Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Mama

Terapias orais para o tratamento do câncer de mama demonstram aumento em sobrevida

O cenário do tratamento do câncer de mama vem se modificando com uma grande velocidade nos últimos anos, não apenas através da melhor seleção de pacientes para os tratamentos, mas também pela incorporação de terapias cada vez mais ativas e o desenvolvimento de novas drogas com mecanismos de atuação específicos, possibilitando maior comodidade e segurança no tratamento dos pacientes. Reforçando ainda mais esse momento de constante inovação na oncologia do câncer de mama, ribociclibe e abemaciclibe, dois inibidores de ciclina orais, demonstraram benefício em sobrevida global nos respectivos estudos de fase III, conforme com nota divulgada pelas companhias farmacêuticas responsáveis pelas drogas.

O tratamento com ribociclibe foi avaliado no estudo MONALEESA-3, que randomizou 726 pacientes com câncer de mama avançado RH positivo e HER-2 negativo sem história de tratamento quimioterápico prévio para a doença metastática e ≤ 1 linha de tratamento hormonal nesse cenário para receberem fulvestranto associado a ribociclibe ou a placebo. Dados previamente apresentados, demonstravam um benefício em sobrevida livre de progressão a favor do tratamento combinado de fulvestranto e ribociclibe, com medianas de 20,5 versus 12,8 meses (HR=0,59; IC de 95%: 0,48-0,73; p<0,001), além de aumento na taxa de resposta de 28,7% para 40,9% (considerando apenas pacientes com doença mensurável). Entretanto no dia 31 de julho, a farmacêutica NovartisÒ anunciou que em nova análise interina conduzida no estudo, o tratamento combinado de fulvestranto e ribociclibe também promoveu benefício em sobrevida global, quando comparado ao braço controle.

Já no MONARCH 2, 669 pacientes com câncer de mama avançado RH positivo e HER-2 negativo que apresentaram progressão de doença durante terapia hormonal neoadjuvante, adjuvante ou hormonioterapia na primeira linha, além daquelas com progressão em ≤12 meses após o tratamento hormonal adjuvante, foram avaliadas para receber tratamento com fulvestranto associado a abemaciclibe ou placebo. Resultados prévios desse estudo demonstravam que o tratamento com abemaciclibe associado a fulvestranto reduziu em 45% o risco relativo de progressão de doença ou morte quando comparado ao braço controle de tratamento (HR=0,55; IC de 95%: 0,49-0,68; p<0,001), assim como também foi associado a uma maior taxa de resposta objetiva (48,1% versus 21,3%). Em 30 de julho de 2019, a farmacêutica LillyÒ também anunciou que o tratamento combinado de fulvestranto e abemaciclibe atingiu benefício em sobrevida global em análise interina conduzida no estudo.

Ambas as drogas são aprovadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o tratamento de pacientes nos cenários de doença incluídos em ambos os estudos.

Trata-se de uma classe de medicações com grande impacto no tratamento do câncer de mama metastático RH positivo/HER-2 negativo. Apesar de não ser o desfecho primário desses estudos com inibidores de ciclina, diante da magnitude do benefício em sobrevida livre de progressão os dados de sobrevida global eram muito esperados, e vieram para confirmar o grande benefício dessas medicações. Com 3 estudos demonstrando aumento de sobrevida global até o momento (MONALEESA-7, MONARCH-2 e MONALEESA-3) e um outro com a mesma tendência, apesar de não ter atingido significância estatística (PALOMA 3), os inibidores de ciclina reforçam mais uma vez seu papel como o tratamento-padrão atual para pacientes com câncer de mama metastático subtipo luminal. Lembrando que no Brasil essas medicações são aprovadas pela ANVISA em combinação com hormonioterapia (inibidor de aromatase ou fulvestranto) ou como monoterapia em linhas avançadas (apenas o abemaciclibe), destacando o papel da hormonioterapia ao invés de quimioterapia nesse cenário, excetuando-se na rara situação de crise visceral”, segundo a Dra. Juliana Pimenta, oncologista da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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