Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Ginecológico

Novidades no Congresso da Sociedade de Oncologia Ginecológica

Entre os dias 23 e 27 de março de 2018, ocorreu em New Orleans, EUA, o congresso da Sociedade de Oncologia Ginecológica (SGO). Dentre os diversos trabalhos apresentados, destacam-se o uso de imunoterapia em tumores ginecológicos e também o uso de terapia-alvo anti-HER-2.

Seguem alguns dos trabalhos de maior destaque:

 

Câncer de endométrio:

– Randomized phase II trial of carboplatin-paclitaxel compared to carboplatin-paclitaxel-trastuzumab in advanced or recurrent uterine serous carcinomas that overexpress Her2/neu: este estudo fase II randomizou 61 pacientes com carcinoma seroso uterino estadios III-IV ou recorrentes com superexpressão de HER-2 para receberem 6 ciclos de quimioterapia com carboplatina + paclitaxel associados ou não ao anticorpo monoclonal anti-HER-2 trastuzumabe. Os resultados apontaram para um benefício de 4,6 meses em sobrevida livre de progressão com o uso do anticorpo anti-HER-2 (8,0 versus 12,6 meses; HR 0,44; IC 90%, 0,26-0,76; p=0,005).

 

Câncer de ovário:

– MEDIOLA: o estudo fase II avaliou 32 pacientes com câncer de ovário recidivado platino-sensível portadoras de mutações germinativas do gene BRCA (22 BRCA1 e 10 BRCA2) para tratamento com o inibidor da PARP olaparibe, em associação com o anticorpo monoclonal anti-PDL-1 durvalumabe. O tratamento combinado proporcionou uma taxa de controle de doença de 81% em 12 semanas e taxa de resposta de 63%, com 19% de respostas completas.

 

– Phase II study of pembrolizumab (pembro) combined with pegylated liposomal doxorubicin (PLD) for recurrent platinum-resistant ovarian, fallopian tube or peritoneal cancer: avaliou o uso do anticorpo monoclonal anti-PD-1 pembrolizumabe em combinação com doxorrubicina lipossomal no tratamento de 26 pacientes com câncer de ovário recorrente platino-resistente. A taxa de resposta da combinação foi de  11,5% e beneficio clinico de 46%.

 

– TOPACIO: o estudo fase I/II Topacio avaliou a eficácia do tratamento com o inibidor da PARP niraparibe em associação com pembrolizumabe no câncer de ovário platino-resistente (independente da mutação de BRCA). Trinta e seis pacientes receberam o tratamento combinado na fase II do estudo, demonstrando uma taxa de resposta global de 25% e beneficio clínico de 68%.

 

Segundo a Dra. Juliana Martins Pimenta, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “a avaliação de superexpressão de HER-2 e a possibilidade do uso de trastuzumabe traz uma nova opção de tratamento para os tumores de endométrio de histologia rara e até então com limitações terapêuticas. Em relação à combinação de letrozol com everolimo, mais um estudo confirma o seu benefício para o tratamento do carcinoma de endométrio avançado, representando uma nova e importante opção terapêutica, além de abrir a possibilidade de evitarmos temporariamente o uso de quimioterapia, reduzindo assim as toxicidades do tratamento.”

Ainda de acordo com a Dra. Graziela Zibetti Dal Molin, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “o câncer de ovário é um tumor com baixa imunogenicidade e baixa resposta ao uso de imunoterapia isolada. A combinação de imunoterapia e inibidores de PARP tem mostrado resultados promissores e é interessante, dado haver um sinergismo entre as drogas independente do status da mutação do BRCA e pelo fato de a inibição da PARP regular a expressão de receptores PD-L1.”

 

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida.

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