Editores da série MOC: Antonio Carlos Buzaid - Fernando Cotait Maluf - William Nassib William Jr. - Carlos H. Barrios

Editor-convidado: Caio Max S. Rocha Lima

Cobertura de congressos

Novidades no MOC após ASCO GU 2019

Saiba o que vai mudar no MOC em breve. Enquanto os capítulos estão sendo atualizados, elaboramos um sumário com as principais mudanças.

Câncer de próstata

ARAMIS

Nesse estudo de fase III foram randomizados 1.509 pacientes com câncer de próstata resistente a castração não metastático (nmCPRC) para receberem tratamento com darolutamida ou placebo, associados a manutenção da terapia de supressão androgênica (ADT). Na primeira análise, com seguimento mediano de 17,9 meses, o tratamento com darolutamida, um antagonista do receptor androgênico, atingiu o objetivo primário do estudo, demonstrando benefício estatisticamente significativo em sobrevida livre de metástases (HR=0,41; IC de 95%: 0,34-0,50; p<0,001) com medianas de 40,4 versus 18,4 meses. Apesar de imatura, a análise primária de sobrevida global sugere também benefício no tratamento com darolutamida (HR=0,71; IC de 95%: 0,50-0,99; p=0,045), assim como os demais objetivos secundários do estudo: tempo para progressão de dor, tempo para início de quimioterapia e tempo para o primeiro evento ósseo sintomático. Dentre as análises de segurança, a taxa de eventos adversos de graus ≥3 foi de 24,7% com darolutamida versus 19,5% com placebo. Ressalta-se as baixas taxas de quedas, fraturas, convulsão e perda ponderal, toxicidades características dos antagonistas de receptores androgênicos modernos, possivelmente relacionadas a baixa penetração da droga pela barreira hematoencefálica, conforme demonstrado nos estudos pré-clínicos.

ARCHES

O tratamento de primeira linha com enzalutamida associada ao bloqueio androgênico (ADT) foi avaliado nesse estudo de fase III com 1.150 pacientes com câncer de próstata metastático sensível a castração. Dentre os pacientes randomizados, cerca de dois terços apresentavam doença de alto volume (critérios CHAARTED) e doença metastática de novo. Na análise primária dos dados, com seguimento mediano de 14,4 meses, a combinação de enzalutamida com ADT foi associada a redução de 61% no risco relativo de progressão de doença radiológica (HR=0,39; IC de 95%: 0,30-0,50; p<0,0001), objetivo primário do estudo. É notável que o benefício foi consistente independente do volume de doença apresentado conforme os critérios do estudo CHAARTED. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos, e a análise de segurança demonstrou eventos semelhantes ao uso de enzalutamida em outros cenários.

Carcinoma de células renais

KEYNOTE-426

No estudo de fase III KEYNOTE-426, 861 pacientes com carcinoma de células renais tipo células claras metastáticos foram randomizados para receber tratamento de primeira linha com pembrolizumabe + axitinibe ou sunitinibe. Após um seguimento mediano de 12,8 meses, os objetivos primários do estudo foram alcançados, demonstrando benefício estatisticamente significativo em sobrevida global (HR=0,53; IC de 95%: 0,38-0,74; p<0,0001) e sobrevida livre de progressão (HR=0,69; IC de 95%: 0,57-0,84; p<0,001) em favor do tratamento combinado com o imunoterápico associado ao antiangiogênico. A taxa de resposta objetiva também foi superior no grupo que recebeu pembrolizumabe + axitinibe (59,3% versus 35,7%), com 5,8% de respostas completas. A taxa de eventos adversos de graus ≥3 foi semelhante entre os dois tratamentos (75,8% versus 70,6%).

JAVELIN-101

Os dados do estudo de fase III JAVELIN-101 foram atualizados na ASCO GU 2019. Nesse trabalho, 866 pacientes com carcinoma de células renais tipo células claras metastático sem tratamento sistêmico prévio foram randomizados para receber tratamento com o anticorpo monoclonal anti-PDL-1 avelumabe associado ao anti-VEGFR axitinibe, ou o tratamento padrão com o antiangiogênico sunitinibe. Com um seguimento mediano por volta de 12 meses entre os dois grupos, a sobrevida livre de progressão no grupo de pacientes com PDL-1 positivo (≥1%) foi estatisticamente superior em favor do tratamento com a combinação de avelumabe e axitinibe (HR=0,61; IC de 95%: 0,47-0,79; p<0,001), um dos objetivos principais do trabalho. O mesmo desfecho foi avaliado na população geral, como um dos objetivos secundários do estudo, confirmando novamente a superioridade do tratamento combinado (HR=0,69; IC de 95%: 0,56-0,84; p<0,001). A taxa de resposta com avelumabe e axitinibe na população global foi de 51,4% versus 25,7% para os pacientes tratados com sunitinibe. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos, e dentre as análises de segurança, a taxa de eventos adversos de graus ≥3 foi semelhante entre os braços de tratamento (71,2% versus 71,5%), entretanto 38,2% dos pacientes que receberam a combinação apresentaram algum evento adverso considerado como imuno-relacionado, sendo 9,0% deles de graus ≥3.

Por Dr. Daniel Vargas P. de Almeida

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